quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Os Fósseis de Israel e o Racismo!

 

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Árvore da Lagoa, 2010

Lúcia de Lima ( Brasil, contemporânea)

Ontem eu comentava as descobertas dos dentes em escavações em Israel. Procurando novas informações, fiquei impressionado com comentários postados em diversos blogs, ou portais. Comentários mal informados e preconceituosos.

Muitos desses blogs colocam fotos fantasiosas de crânios, de outras descobertas, afirmações ainda desencontradas, pois especialistas do mundo todo, colocam o achado como inconsistente para se afirmar, que a origem do homem sejam no Oriente Próximo (Israel).

Sir Paul Mellars, especialista em arqueologia da Universidade de Cambridge, disse que o estudo é respeitável, e a descoberta é "importante" porque continua a partir desse período crítico são escassos, mas é prematuro dizer que os restos são humanos.

"Baseado nas evidências que eles foram encontrados, é uma possibilidade muito tênue e, sinceramente, bastante remota", disse Mellars. Ele disse que os restos mortais são mais provavelmente relacionados com parentes antigos do homem moderno, o homem de Neandertal.

Qual a polêmica atrás dessas informações?

Entra em jogo o local da origem do homem. Muitos querem negar a origem única africana. Pregam a origem múltipla. Uma forma de afirmar que existem “raças” humanas superiores. Mesmo que a teoria de “fora da África”, for descartada nada comprova a superioridade racial de um segmento humano.

Exagero de militante contra o preconceito e a discriminação?

A realidade dos skinheads em São Paulo, onde mataram há uns três anos um rapaz no centro. A violência na Avenida Paulista e na Rua Augusta, esse ano. As declarações racistas e preconceituosas sobre nordestinos. São fatos.

Hoje 29 de dezembro vi uma pequena notícia na TV sobre a prisão de um bacharel em direito do Rio de Janeiro. Agindo nas redes sociais, foi denunciado e no seu quarto além de tanques alemães da 2ª. Guerra, soldados nazistas e bonecos de Adolph Hitler, muitas declarações racistas.

Nos seus computadores e nas páginas das redes sociais pregava a “pureza racial e a Eugenia”

Veja algumas declarações foram encontradas na página de relacionamento do bacharel:

"Ai, ai, é impressionante o mau-humor e a inveja, de pessoas que moram mal pra ..., onde tudo é feio, essas mesmas pessoas devem achar um grande programa  visitar a árvore de natal da Lagoa, que fica apenas 1 min da minha casa, e que eu nunca perdi nem 10 segundos olhando para a mesma."   
"O mal-humor (sic) está além de seus bairros de origem, está em renegar sua genética, cabelo ruim, sorriso horrível, baixa estatura e baixo nível sócio-cultural. São feias por natureza, já nascem com 20% de gordura na cintura, não tem dinheiro nem pra ir pra São Paulo."

"E tudo que tem na vida é um empreguinho de ... . Graças a Deus, em pouco tempo estarei longe dessa gentalha e dessa cafonice. Deus nos livre dessas pragas cafonas, nós, pessoas de bem, que nascemos bem, que tivemos educação e uma ótima genética. VIVA A EUGENIA! VIVA A EUGENIA! VIVA A EUGENIA!"

"EUGENIA é um termo cunhado em 1883 por Francis Galton (1822-1911), significando “bem nascido”. {1} Galton definiu eugenia como o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja física ou mentalmente."

"Verdade cara, mas árvore nesse caso, foi apenas um exemplo da medíocre vida e cultura de seres invejosos que convivem com a gente por alguma sorte da vida."

Trechos do artigo do Correio

http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-3/artigo/bacharel-de-direito-e-preso-por-discriminacao-racial-em-redes-sociais/

Preconceito e discriminação, num país formado pela integração dos grupos étnicos?

Descubro sempre “a realidade é mais cruel que a ficção”.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O Homem apareceu antes?

Nessa segunda-feira (27 de dezembro) arqueólogos anunciaram que podem ter encontrado a primeira prova do aparecimento do homem moderno, conhecido como Homo sapiens, com cerca de 400.000 mil anos.

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O achado são dentes numa caverna no centro de Israel. O achado se comprovado mudaria completamente a teoria da evolução.

"É muito emocionante para chegar a essa conclusão", disse o arqueólogo Avi Gopher, cuja equipe analisou os dentes com raios-X e tomografias computadorizadas e datado-los de acordo com as camadas de terra onde eles foram encontrados.

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A teoria científica aceita é que o Homo sapiens teve origem na África e migraram para fora do continente. Gopher disse que se os restos mortais são definitivamente ligados aos antepassados do homem moderno, poderia dizer que o homem moderno, de fato, originada no que hoje é Israel.

Os últimos restos encontrados na Etiópia, datam de 200.000 mil anos. Os humanos anatomicamente modernos têm seu primeiro registro fóssil na África, há cerca de 195 000 anos, e os estudos de biologia molecular dão provas de que o tempo aproximado da divergência ancestral comum de todas as populações humanas modernas é de 200 000 anos atrás. Se comprovada a descoberta israelense mudaria todo o quadro evolutivo.

A teoria atualmente aceita é do homem moderno surgindo, e migrando para fora África há aproximadamente 70.000 mil anos, substituindo as espécies de hominídeos anteriores.

Sir Paul Mellars, especialista em arqueologia da Universidade de Cambridge, disse que o estudo é respeitável, e a descoberta é "importante" porque continua a partir desse período crítico são escassos, mas é prematuro dizer que os restos são humanos.

"Baseado nas evidências que eles instalados, é uma possibilidade muito tênue e, sinceramente, bastante remota", disse Mellars. Ele disse que os restos mortais são mais provavelmente relacionados com parentes antigos do homem moderno, o homem de Neandertal.

Gopher, o arqueólogo israelense, disse que está confiante que sua equipe vai encontrar os crânios e ossos, como eles continuam a cavar.

A pré histórica caverna Qesem pré-histórico foi descoberto em 2000, e as escavações começaram em 2004. Os pesquisadores Gopher, Ran Barkai e Israel Hershkowitz publicaram seu estudo na revista American Journal of Physical Anthropology.

Baseado em http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=132365459

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Gravidez aos 35

 

Confeitaria Colombo Rio

Gosto de ler boas crônicas. Você se envolve com o cronista, sua história, e vai na sua cabeça ligando fatos, acontecimentos. Surgem suas histórias.

São gatilhos para sua criatividade. Não cópias ou mesmo arremedos de criação, mas elaborações, em cima das elaborações de quem escreveu. E quem escreveu não teve um ponto de partida. Creio que a internet está unindo pensamentos, criações, formando conexões.

Mas e as mulheres de 35? Ah! É se deter na questão e até fica mais fácil para explicar essa troca de informações, elaborações e tais... Há uma semana atrás, na crônica de Guará Matos CONFEITARIA COLOMBO E A “BELLE ÉPOQUE” , me deliciei com a Confeitaria Colombo, no centro do Rio de Janeiro, com os personagens tão bem descritos por Guará Matos, uma crônica tão rica de histórias e fotos, que vale a pena conferir, como ele tece a trama entre o antes e o agora.

Na crônica de Guará Matos, revi minha vida, quando criança estive com meus pais, na Confeitaria Colombo, estávamos vindo de São Paulo. Escrevo e uma música de carnaval vem na lembrança:

Na porta da Colombo

" Tá sassaricando
Todo mundo leva a vida no arame
Sa, sa, sassaricando a viúva, o brotinho e a madame
O velho na porta da Colombo
É um assombro
Sassaricando...

A música estourou nos carnavais da década de 50, e fez até parte da novela da Globo Sassaricando. A Colombo era o ponto, e a confeitaria famosa por seus lanches e almoço. No Brasil ainda com a influência européia, havia o charmoso Chá das Cinco. À noite a Colombo era invadida pela boemia.

Luiz Antonio autor da marchinha, contava que o termo sassaricar, vinha do nordeste e se aplicava as pessoas que “ficam ciscando em volta, igual galinha no terreiro”.

Um dos mais famosos galanteadores da Colombo foi Olavo Bilac.

Encantado com o centro do Rio antigo, e ainda presente e resistindo me deparei com outra excelente crônica. “De volta para o futuro” de Josì Viana http://recantodasletras.uol.com.br/cronicas/2673376, carioca, despachada, com verve e humor, fala das relações mulher, homem. O seu texto começava... : -”eu ouvi isso em plena rua Uruguaiana...” e conta um “xiste”, um dito, uma provocação, sobre as fases da idade da mulher. Não conto até para não quebrar o encanto quando você for ler.

Tudo isso faz parte galanteria de rua, paquera ou azaração. E o Rio é o local onde o amor anda solto e livre.

Tudo bem, mas onde está o meu start, o gatilho?

Muito Rio de Janeiro, para um paulistano. Minha primeira paixão foi uma carioca.

Destemida, apaixonada, forte, de riso aberto e solto. Todas essas crônicas fizeram histórias dela vir à tona.

Com 35 anos engravidou, ficou com vergonha. Seus outros filhos já crescidos, e ela grávida?

O que hoje é quase norma, a mulher pensar em ter filhos aos 30 anos, antes uma mulher de trinta já era quase uma idosa. Tanta coisa mudou.

Lembro-me que aos 45 anos, ela ainda ouvia elogios na rua. Eu ao seu lado morria de ciúmes.

Meu peito bate forte quando penso nela, estaria fazendo 100 anos.

Uma carioca, minha mãe.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Gente

Cartaz 005
Não seja intolerante
há gente passando fome e morrendo
quero teu respeito e amizade
nas mãos está o destino
mulheres ou mulheres

Negros     Cafusos    Marrons
Amarelos  Loiros    Mulatos     Roxinhos      Mamelucos
Pretos      Morenos   Índios     Brancóides   Cabos-Verdes      GENTE
Sararás    Pardos    Brancos   Japoneses   Mestiços
Azuis        Morenos Claros      Polacos       Negrãos

No amor e no sonho
no riso e no choro não diferentes
não seja intolerante
não há dois dedos ou destinos iguais
hã gente prisioneira, sem casa
doente e com frio
as crianças descalças brincam juntas
a Humanidade é tão igual

Publicado Poesias de Rua, 17 de julho de 1985

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Domingo na Liberdade

 

Publicado no Recanto das Letras 27/08/10

Adoro São Paulo, por suas diferenças. Não por um sentido bairrista de quem vive aqui. Conversando com Seu Zé, sergipano de cepa, do delta rio do São Francisco, ele disse que sua filha é paulistana da gema. São Paulo tem dessas coisas, pessoas que vêm para cá e tomam a cidade como sua. Apropriam-se e dão um tom peculiar, que só sinto em Nova Iorque. Uma cidade cosmopolita, cidade mundial em mudança constante.

Moro há mais de dois terços da minha vida, com idas e vindas, sinto que é a cidade mais importante da minha vida, embora tenha inúmeros outros amores declarados por outros lugares.

Falo até porque agora estamos planejando nossa viagem para Porto Alegre, e aí fica mais fácil falar de onde estamos como vivemos, e até porque ainda estamos aqui.

Claro que muita gente conhece São Paulo. Meu cunhado mudou-se para Aracaju, trabalha numa agência de viagens, e faz excursões para... São Paulo! O povo sergipano adora vir em feiras, fazer compras na Rua 25 de março, ir ao Brás para ver as pechinchas. Avançar no Bom Retiro, nas lojas dos coreanos da Rua José Paulino. Conhecer o Mercado Municipal. Correr aos mega shoppings, e até ir aos grandes supermercados.

Falo do povo sergipano, como exemplo, até por ser da família. Quem sabe o cunhado me fala de alguma promoção nesses vôos hiper baratos, que você só descobre que existe depois que ocorreram... Excursões vêm de todo Brasil, conhecer São Paulo.

Não estou falando nada de novo. Mas existem lugares paulistanos, que são poucos divulgados, pelo Brasil (é agora, sinto-se em rede nacional). Ou apesar da divulgação os paulistanos (“da gema” ou adotados) não se arriscam.

Gostaria de falar de um desses lugares, que ficamos sabendo divulgam e você não vai. Não vai por quê? Preguiça, medo de se arriscar: Tá sendo divulgado, já pensou a fila! Ou sei lá um monte de outros motivos para você não sair de casa.

São Paulo tem isso, um monte de lugares para você ir, e simplesmente você não vai.

Tem explicação a cidade te absorve tanto, tem tantas coisas, que no fim você que ficar sem fazer nada “na boa”! Ou fugir nós estamos planejando ir para Porto. Mas aí que está a magia de São Paulo, rolam coisas que só acontecem em São Paulo. Temos uma lista de coisas a fazer ou conhecer, e a primeira delas verificar o tal do chinês ninja e o macarrão mágico.

Está no bairro da Liberdade, bairro que já foi dos negros, dos japoneses, e hoje é o bairro Oriental, de todos nós.

Domingo dia de sol, depois de um inverno chuvoso, olhe a festa. Ruas cheias de gente, cheiro de comida desde a estação do Metro Liberdade. Feira de artesanato, entrepostos de comidas orientais. Japonesas, chinesas e coreanas. Muita gente bonita e de bem com a vida. Visual do Bairro Oriental, lanternas, jardins, gente de roupas típicas. Uma festa sempre...

Você pode até ter visto ou ouvido falar, mas ir ver a massa tipo pão se transformar pelo malabarismo do chinês ninja. O chefe cozinheiro malabarista transforma tubos de massa em fios. É um show! Coisa que nenhuma mãe ou nona faz.

A comida é deliciosa e farta. Comemos um Yakissoba chinês, com carne de frango, de vaca e camarão, rolinhos primavera crocantes e deliciosos.

Tudo isso vale a visita, além dos preços baratos. Vá cedo para não pegar muita fila.

Além do chefe cozinheiro, a mulher chinesa no caixa, com um português de chinês, resolve todos os problemas. Os garçons atendentes nordestinos com extrema simpatia, nos informam dos pratos.

Vi o chefe cozinheiro chinês, na televisão há alguns anos. Veio para uma demonstração culinária de gastronomia. Veio e ficou, paixão, amor por São Paulo é assim...

Veja o vídeo Este é o cara:

Restaurante Rong He

Endereço Rua da Glória 622 a

Em tempo: Você não encontrará talheres (garfo e faca). Uma tesoura de cozinha vem junto ao prato, para cortar os longos fios de macarrão.

Dica sergipana : Se você não estiver habituado ao “hashi” (pauzinhos) para comer, leve elásticos comuns de escritórios, enrole na ponta que você vai segurar, e você tem uma prática pinça.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

São Paulo tribos e nações

São Paulo é uma confederação! Falam de uma cidade com inúmeras tribos (interesses), mas quando você vê os números antigos (o Censo está sendo efetuando) você se impressiona. Fica estarrecido!


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A cidade tinha pelo IBGE quase 11 milhões de pessoas (10,8 m) Se for considerada a região metropolitana, ou seja, os 38 municípios que circundam a capital, a população chega a aproximadamente 19 milhões de habitantes. Na época Portugal tinha aproximadamente 10 milhões de pessoas.


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Além das regiões próximas serem regiões metropolitanas do estado,“como Campinas e Baixada Santista; outras cidades próximas compreendem aglomerações urbanas em processo de conurbação, como São José dos Campos, Sorocaba e Jundiaí. A população total dessas áreas somada à da capital – o chamado Complexo Metropolitano Expandido – ultrapassa 29 milhões de habitantes, aproximadamente 75% da população do estado inteiro. As regiões metropolitanas de Campinas e de São Paulo já formam a primeira macrometrópole do hemisfério sul, unindo 65 municípios” ... Wikipédia.


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Há municípios tão ligados que não se percebe onde começam ou acabam.
Com a possibilidade do trem-bala unindo Rio, São Paulo e Campinas, teremos a Conurbação da região Sudeste. Ficção cientifíca realizada.
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Como sobreviver nesse mundo de gente?

A cidade se organiza por tribos ou nações. Você chega (a grande maioria dos habitantes são migrantes, filhos ou netos), aos poucos vai descobrindo seus iguais. Interesses, gostos, jeito, sei lá... Você acaba se encaixando numa, ou em várias tribos ou nações.
Porque falo tanto em nação? O exemplo mais visível do momento a Nação Corintiana! O Corintihians fez 100 anos, seja você ou não torcedor de time de futebol, haverá sempre uma história na sua vida envolvendo a Nação Corintiana. Calculam em 30 milhões espalhados pelo Brasil. No vale do Anhangabaú para a comemoração havia corintianos vindos do Piauí.
Outras nações os nordestinos, dizem de São Paulo, ser a maior cidade nordestina do país. E o mineiros? Portugueses,palestinos, coreanos, nigerianos e até austríacos. Jovens, atores de teatro, músicos, amantes do StarTracker fazem convenção. Idosos constroem uma nova identidade...
A cidade é repartida em regiões dos pontos cardeais. Democráticamente misturados, miscigenados, tocando sua vida.Centro, Região Leste, Oeste, Norte, Sul, cada um com sua mística. Que você descobre uma mistura geral, uma geléia real, sem fronteiras ou divisas.
Claro que você tende a se especializar. Frequentar os caminhos que levam ao seus cantos e recantos. Sem guetos, ou barreiras. As existentes vão se corroendo, e pela força da gravidade da realidade. Vi uma mega-loja surgir como um império de consumo. E pouco a pouco a sociedade renegar, criticar e democráticamente rir. Da Daslu, surgiu a Daspu!
Moro na região Sul, em Santo Amaro. Onde a transformação, hoje ocorre com uma rapidez quase massacrante. De casas de pequena classe média, de regiões de fábricas, surgem mega edifícios. Na região (bairro) da Vila Olímpia bairro nobre próxima a Avenida Berrini, 20 e poucos prédios estão em construção, mais de 50 lançamentos de grandes prédios.
Próximo ao terminal de ônibus de Santo Amaro. 3 megas torres vão se erguendo, onde haverá escritórios e apartamentos residenciais, e segundo a propaganda irã circular 350 mil pessoas por dia.
Na rua veja uma jovem mulher guarani, com três crianças vendendo arcos e maracas.
São Paulo tem nações, tribos e aldeias resistindo.

Publicado no Recanto das Letras 04/09/10

sábado, 11 de dezembro de 2010

Chamados para fazer o novo Enem

A novela do Enem continua.

O MEC (Ministério da Educação) convidou mais de 9,5 mil estudantes para refazer a prova amarela do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Desses 9.500 alunos, apenas três são do Estado de São Paulo.  Num total de 218 cidades que terão o NOVO ENEM, duas cidades paulistas, Ourinhos no interior paulista com um aluno, e Itaquaquecetuba (Grande SP) com dois estudantes.

Para entender o CASO: Foram convidados refazer o exame, os alunos que no primeiro dia do Enem, receberam a receberam a prova amarela com defeitos de impressão --perguntas repetidas ou faltando--, que não a trocaram por um caderno de questões normal e que tiveram o problema registrado na ata da sala.

O ministério admite que candidatos que não tiveram nenhum problema podem ter sido convocados por engano. A pasta orienta que esses estudantes ignorem o convite. Eles terão a prova anterior corrigida normalmente. Mesmo os alunos prejudicados podem optar por não refazer o exame --valerá, também nesse caso, a prova original.

A nova prova acontece na quarta-feira (15), às 13h (horário de Brasília). De acordo com o MEC, os mais de 9,5 mil alunos que tiverem direito serão notificados até o fim do dia de hoje por e-mail, SMS e telegrama. Entre eles, podem estar candidatos que eventualmente não precisariam ser notificados. A menos de uma semana da prova, não há um número fechado.

Ninguém é obrigado a fazer o novo exame. Quem não comparecer terá a prova antiga corrigida.

Quem resiste a essa novela?

 

 

 

Vamos para Zambukaki

http://zambukaki.blogspot.com/2010/07/zambukaki.html

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Neuzinha e eu

Ela não gosta que a chamem de Dona Neuza!

Já tomei uns três esculachos ao vivo e a cores, no meio do povo: -“Não gosto que me chamem de dona!”

Falou e olhando os meus remanescentes cabelos salpicados de branco. Tipo vê se enxerga seu idoso!

Tenho conversado com um amigo, Marcio Jr, blogueiro, escritor e romancista, sobre a idade biológica e mental (mental?), de repente descobrimos jovens, detentores de um conhecimento muito antigo. Idade biológica, 16, 17, 20 e poucos anos, e uma antiguidade de vida citando o Marcio Jr “já deve ter vivido, pelo menos, umas 10 outras vidas... kkk”.

Estou para fazer aniversário na próxima semana, e ando de T.P.A. uns quinzes dias (TPA Tensão Pré Aniversário), confesso estou no lado oposto da gangorra. Com toda minha rodagem, ainda sou criança. “Por dentro com a alma atarantada — Sou uma criança,
não entendo nada.” Erasmo Carlos

Com a Neuzinha ocorre quase o mesmo, é uma criança e entende tudo.

Nem sei se ela gostará que a chame de Neuzinha. Mas ela é tão carinhosa, tão meiga, tão doce, dá vontade de abraçar. Neuzinha para mim, posso nem chama-la assim se não gostar. Será simplesmente Neuza, mas no íntimo estarei dizendo Neuzinha, Neuzinha!

Tenho uma experiência real e vivencial com Neuzinha. Coisa de agora, desse ano. Ando tentando escrever memórias, que vivenciei, até para responder uma pergunta que me angústiava. Escrever para que? Já está tudo escrito.

Comecei a perceber com Ignácio de Loyola Brandão, que existe coisas que só você viveu, ou só você pode escrever. Tipo ninguem me contou, eu estive lá.

Nessa época de autores CONTROL C, CONTROL V, é uma diferença. Mesmo que não me leiam.

Mas na Net nas minhas andanças encontrei Neuzinha. Amei seu blog, ela dava notícias sobre um curso que ocorria. Postei e fui no curso. E...

Encontrei Neuzinha. Meio com vergonha, rompi meu silêncio e me apresentei. Muleca ela gostou...

Sei que é um marco você encontrar, alguém na Internet, e ter um encontro real. No nosso caso deu química, hoje somos amigos. Só amigos! Tem uma promessa de uma macarronada...

Paulistano, filho de baianeiro (mineiro do norte de Minas), com carioca, com um perfil diferenciado. Carinhoso, falante e grande ouvinte. Sei lá, até seja como um baiano abusado.

Neuzinha botou limites, apesar de estar só por escolha! É ainda apaixonada pelo Ayrton. Para ela não ficar pensando que eu já estava com boas intenções, levei e apresentei Josiani minha mulher.

Neuzinha é blogueira famosa, dá entrevista, vai a programas de TV. Nos acha Josiani e eu muito velhos, já umas três vezes saindo do tal curso, falou que ia sozinha pois andavamos muitos lentos. É essa juventude...

Arrisco-me a dizer, que sou amigo de gente famosa coma a Neuzinha? Ela publicou uma crônica minha no seu blog. Para quem conhece Neuzinha, sabe que não é coisa para qualquer um...

Entrei hoje em seu blog, e encontrei uma preciosidade o baile com Ayrotn: “deslumbrada com a descoberta do amor fui ao meu primeiro baile com esse amor.” No antigo Hotel Esplanada, atrás do Teatro Municipal. Hoje Grupo Votorantin.

 Hotel Esplanada

Usando uma máquina do tempo no tal baile, (tipo o Filme de volta para o futturo) ela nem me notaria. Fiquei com ciúmes confesso.

Como Fernando Pessoa, sou múltiplo, tive até heterônimos, Hastati, Don Pedrês, Hugo e outros tantos que surgem. Pessoas apaixonadas, um desses que eu não sei o nome se apaixonou pela Neuzinha.

Trabalhei no antigo Mappin- Casa Anglo Brasileira, comecei carregando e descarregando caminhões, cheguei a chefe de seção. No antigo Hotel Esplanada os bailes, no Mappin os chás da tarde, a elite paulistana. Eu era um garoto morador das quebradas (hoje a chamada perifa)

Leiam sua maravilhosa crônica, e vejam porque sou entusiasmado com a Neuzinha. Ontem no final de um email, coloquei:

"Meu coração, não sei por que. Bate feliz quando te vê. E os meus olhos
ficam sorrindo. E pelas ruas vão te seguindo. Mas mesmo assim. Foges de mim
..." Mestre Pixinguinha

Depois pensei lascou dei bandeira!

Também Neuzinha, tem a alegria de viver de uma personagem de um filme clássico da década de 70, o filme Harold & Maude (Ensina-me a viver). Quem assistiu se envolveu e se apaixonou por Maude (a atriz Ruth Gordon). Quem manda Neuzinha ser melhor que a personagem.

O blog da Neuzinha: http://vovoneuza.blogspot.com/

Cuidado! Não sei se ela vai gostar da intimidade...

Evolução do Planeta Terra até o surgimento do Homem

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Um vídeo muito interessante, surgimento do planeta, as massas continentais.

Os animais sua evolução, o surgimento do homem, as primeiras organizações sociais.

Em nove minutos, um descrever da história da Terra, e dos seus habitantes.

Divirta-se:


No momento em que cientistas anunciam, tipo de vida ainda desconhecidos. A famosa bactéria que se alimenta de arsênico, um panorama da história da Terra, nos faz pensar sobre a significância ou insignificância do Homem.

Uma frase de Claude Lévi-Strauss: - “O mundo começou sem o homem e vai acabar sem ele.”

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

“Vou-me embora pra Passárgada”?

 

Ou “Vou-me embora pra Pasárgada”, ouvindo o poeta declamar...

 

 

Publicado no Afro-Ibero Pindorama- multiply 2006

 

Autores: Hastati foi para Zambukaki ;

Josiani Muniz;

Hugo Ferreira.

 

 

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Manuel Bandeira é um dos poetas modernos mais queridos e até hoje inspira novos escritores. Seu estilo simples e direto me fez ver a poesia “Vou embora pra Pasárgada” com outros olhos e ouvidos. Não imaginava a quantidade de informações que iria descobrir. A primeira delas foi o da grafia “passárgada” ou “pasárgada”? E a pronúncia?

Sempre ouvi as pessoas dizerem “passágarda”, há uma série de coisas que levam esse nome: Haras Passárgada, Pousadas, Hotéis, Ruas, Residencial, até um disco de Vinícius de Moraes onde se grafa e se canta Passárgada...

Eu vivenciava uma utópica civilização, fantástica terra tropical, linda cheia, de vida, cor e pássaros....

Na pesquisa descobri em uma das versões que o nome era Pasárgada, e que Manuel Bandeira não tinha inventado essa terra mítica.

Na sua adolescência nos seus estudos de grego, ao traduzir a Ciropedia, Bandeira ficou encantado com nome da cidade fundada por Ciro, o Antigo, onde o rei passava férias, nas montanhas do sul da Pérsia.

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Mas qual a pronúncia certa?

Há tantas “Passárgadas”, terras míticas utópicas, para fugas e escapes, ou “Pasárgada”.

A própria voz do poeta, ecoou declamando seu poema.

A voz embargada frisando cada ponto, entoando a musicalidade da libertação da sua Pasárgada, surgiu Manuel Bandeira... E o “S” com o som de “Z” (Pazárgada).

Uma gravação com os chiados de disco de vinil, trouxe o poeta a esclarecer a sua obra.

A riqueza do poema, Bandeira transmite de uma forma, muito clara, quando as coisas não estão bem, há problemas, há dificuldades, só resta nos dizer: “Vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei...”.

Bandeira teve sérios problemas de saúde, tuberculose, e desde a adolescência, ele nos conta, passou anos vendo e vivendo em Pasárgada.

Vinte anos depois desse encontro com a Pasárgada de Ciro ele tentou escrever o poema, mas só saiu o título forte: “Vou-me embora pra Pasárgada”. Anos mais tarde, em situação de dificuldades, surgiu novamente a idéia “Vou-me embora pra Pasárgada”, e o poema foi escrito de um jorro só. Bandeira conta, ele não construiu o poema, o poema se construiu dentro dele.

Usando todas as dificuldades que a doença lhe causava, em Pasárgada ele poderia fazer tudo àquilo que a doença lhe impedia, fazer ginástica, andar de bicicleta, tomar banho de mar (ah, com que prazer o poeta declama!).

O poema se desenvolve a partir do contraste entre dois espaços: e aqui. Aqui é o lugar onde não há satisfação, nem felicidade. é o lugar idealizado, onde existe tudo: bicicleta, burro brabo, pau-de-sebo, mar, prostitutas, telefone. Lá "é outra civilização". As coisas nomeadas são todas materiais.

Por fim, o poema é todo escrito na primeira pessoa do singular: o poeta fala dele mesmo, de sua vontade de mudar, de ir em busca da aventura, de ir para Pasárgada, para , deixando tudo que está aqui para trás.

O emprego dos tempos verbais ajuda a evidenciar essa oposição: em um primeiro momento, predomina o presente - vou, sou, tenho; depois ocorre o futuro do presente, para descrever a fantasia que o poeta faz de Pasárgada, mostrando a certeza dele em relação ao lugar - farei, andarei, montarei, subirei, tomarei.

O poema surge como a esperança para cada brasileiro. Há crianças que não andam de bicicleta porque trabalham. As prostitutas que são discriminadas perante a sociedade. A busca pela felicidade em algum lugar no imaginário, mas que acaba sendo real devido à força do pensamento. A valorização da leitura na infância como estímulo. Um lugar que tem tudo para todos. Até no fim do poema mesmo com vontade de se matar ele termina com a idéia-núcleo: “Vou-me embora pra Pasárgada”. A poesia pode ser citada como o lugar ideal para se viver diante das dificuldades que vivenciamos.

Manuel Bandeira é um exemplo de argumento de autoridade pela simplicidade do seu vocabulário. Não é preciso escrever difícil para ser considerado um grande poeta. Dentre as suas contribuições, algumas se destacam: a língua coloquial, a irreverência, a liberdade criadora e o verso livre. Mas o que mais fascina é a capacidade de extrair algo banal do cotidiano e transformar em uma reflexão social e filosófica.

inspirado em Julica

 

 

Vou-me Embora pra Pasárgada

Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


Texto extraído do livro "
Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

O que é um negro?

 

 

Cadernos Negros 002

 

 

Ei você, venha cá!

Diga-me o que é um negro?

É um ser sujo e burro,

como sempre lhe disseram ser?

Ou um super macho

de cacete incrível?

Uma fêmea de buraco quente

derretendo tudo dentro de si?

Um escuro de nariz achatado,

fechando o punho levantado,

mostrando o beiço exagerado,

um africano puro, não misturado?

Uma cara preta é o que é?

Ser negro de alma negra?

E os africanos aclarados,

nariz afilado, e cabelos ondulados?

Diga-me lá, o que são?

Pardos, mulatos, morenos,

branco morenos, brancos aloirados,

quando incomodam, uma coisa são:

“Pretos! Negros Safados!”

“Filhos quiçá do diabo,

apenas um pouco disfarçados,

para melhor enganar.”

“Não fogem do velho ditado:

Na entrada ou saída cagar.”

“Pretos” quando incomodam

e não sabem seu lugar.

Um negro é oprimido

não importa a cor ou matiz,

descendente de africano

escravo construtor do país.

Pele preta então não é!

Preto foi o braço que escravizou,

a mando do escravocrata

negro capitão, o quilombo arrasou.

Caras pretas pedem: “Votem!”

“Para podermos subir.”

Mas o que fazem?

Senão sempre pedir!

Ser negro de alma negra,

não está na cor

nem no sangue,

está no pensar e agir.

Na luta pela afirmação

do negro brasileiro

está a força do

negro brasileiro país.

 

 

Publicado no 1º. Cadernos Negros 1978

Cadernos Negros

 

 

Em 1978 lançamos o primeiro volume da série CADERNOS NEGROS, com oito poetas, em formato de cooperativa, publicado em formato de bolso com 52 páginas.

Reunia novos e velhos autores. Foi um grande lançamento em São Paulo, distribuído para poucas livrarias. Circulava de mão em mão, às vezes com mais de 20 leitores.

Esse primeiro volume foi analisado por críticos literários estrangeiros, em 1979, foi montada uma peça em Paris, baseando-se em poesias do livro.

Existe até hoje a proposta dos Cadernos Negros. Tem mais de 30 livros publicados, um por ano. Acredito ser um marco na história da literatura a longevidade da publicação.

Por que esse poema hoje?

Este final de ano, estive na festa comemorativa do Quilombo de Palmares, na Educafro São Paulo entidade que tem á frente o Frei David, franciscano, que reúne “pessoas voluntárias, solidarias O objetivo geral da EDUCAFRO é reunir pessoas voluntárias, que lutam pela inclusão de negros, e pobres em geral nas universidades.”

Dois candidatos negros, estavam presentes para agradecer sua eleição:

O Deputado federal Vicentinho do PT/SP, reeleito, sindicalista ex-presidente da CUT, e a Deputada estadual Leci Brandão do PC do B/SP, cantora e defensora da cultura de raiz.

Nesse tempo, idéias mudaram comportamentos.

 

PS. O Deputado Vicentinho, advogado, foi aluno da Educafro.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Anúncio da NASA e o ET

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Ocorreu uma boataria na Internet, a possibilidade da NASA anunciar descobertas de sinais de vida em Titã, uma das várias luas de Saturno. Começaram a surgir desde segunda-feira, com a convocação de uma coletiva de imprensa, que ocorreria ontem quinta-feira dia 2 de dezembro, às 17 horas.

Teorias de conspiração, X-Files (a série Arquivo X), o famoso Hangar 51 onde estariam os restos de ET e a sua nave. Finalmente a NASA viria desvendar os secretos informes?

Analiso que a paranóia dos ET invasores, vem da própria história da América, onde os nativos viviam felizes até serem “invadidos” pelos europeus...

E se acontece de novo? Uma invasão, colonização etc. Muitas pessoas imaginam que quando os nossos “broders” americanos do Norte falam de ETs, estão falando de “nosotros” latinos e brazucas. Aqueles filmes onde devastam milhares de insetos, seriam as cucarachas (baratas) ilegais tentado invadir seu rico país.

Os muros e barreiras impedindo os ilegais entrarem pelo México, são versões modernas da muralha da China, e das muralhas do Império Romano. Nós somos os ETs, bárbaros invasores...

Fiquei ligado na TV da NASA, na hora da entrevista, quando vi um repórter brasileiro da Rede Globo, saí... Reconheço que sou  preconceituoso.

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A informação é um grande avanço para a astrobiologia, ciência que investiga o possível desenvolvimento de vida fora da Terra. Uma bactéria do Lago Mono, pode se alimentar, e incluir no seu DNA, o arsênico como substituto do fósforo. Antes da descoberta do microorganismo, todos os seres vivos conhecidos tinham como base os mesmos seis elementos - carbono, oxigênio, hidrogênio, nitrogênio, enxofre e fósforo. E o arsênico é um veneno.

 

Nada de ET vindo do espaço. Um microorganismo teria evoluído para viver num ambiente considerado impossível de existência de vida. Só podia ser na Califórnia. Simples Teoria da Evolução, do Tio Darwin que em suas andanças passeou no Rio de Janeiro, e até teria se confraternizado com as nativas.

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Vou esperar pelo DNA da bactéria que come arsênico. Será parente do “L.U.C.A.” ?

Amplia os ambientes que os cientistas podem imaginar onde encontrar vida na Terra ou no espaço. A vida ocorreria onde nunca se pensou.

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia", saída da boca do atormentado personagem Hamlet de William Shakespeare, mostra a literatura mais avançada do que a ciência.

Grande avanço foi à declaração dos cientistas da NASA. Sócrates (o grego moreno de nariz chato deve ter se revirado no Olimpo), dizia que sua sabedoria era limitada à sua própria ignorância (Só sei que nada sei.).

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Homenagem a Mario Monicelli

 

Mario Monicelle

Nesse dia 29 de novembro (segunda-feira) o cinema perdeu um de seus maiores diretores. Com 95 anos, o italiano Mario Monicelli, quatro vezes indicado para o Oscar, internado para tratamento de um câncer terminal, num hospital em Roma, partiu...
Acredito como Guimarães Rosa que as pessoas se tornam encantadas. Mario Monicelli será um dos encantados, seus filmes como diretor e roteirista, nos divertiram, fizeram nos sonhar.
Muitos dos seus filmes no Brasil tornaram referência, as comédias italianas com Totó, A Incrível Armada Brancaleone, Bocaccio ´70, Os companheiros, Casanova ´70, Meus Caros Amigos, Parente é Serpente, O Pequeno Burguês e muitos outros.
Nomes dos seu filmes, eram ditos como frases comuns e usuais.



Sinto-me até hoje um formador de “Armada Brancaleone”, filme medieval onde Vittorio Gassman, reunia um grupo de perdedores para tomar posse de um feudo. Uma sátira medieval um Dom Quixote liderando um bando de maltrapilhos.
Confesso que o filme que mais me marcou, foi Os Companheiros no original “I compagni” de 1963 com Marcello Mastroianni. Vi apenas uma vez creio que em 1995 ou 96, logo a censura da Ditadura retirou do circuito de cinemas.
Mario Monicelli trabalhou com atores que nos fizeram sonhar: Totó, Sophia Loren, Marcello Mastroianni, Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi, Anna Magnani, Alberto Sordi, Monica Vitti, Gian Maria Volonté e muito e muito mais...
No final da década de 60, início de 70 faziam-se filas enormes, para os cinemas do centro de São Paulo. Conhecia-se não só os artistas mas discutia-se o iluminador, roteirista, montagem, e o DIRETOR.
Este era o dono do espetáculo, era quem orquestrava tudo.
Víamos filmes franceses, espanhóis, suecos, britânicos e até americanos. Mas o que calava fundo em nossa alma eram os filmes italianos.
Nos anos de chumbo da ditadura sonhávamos...
Nos importantes jornais italianos La Stampa e Corriere della Sera:
“Nos seus últimos meses de vida protestou contra os cortes no orçamento da cultura, incentivou os jovens a revoltarem-se por um futuro melhor, lamentou que o cinema atual não possa retratar Itália tal como ela é, mas não conseguiu vislumbrar um futuro para si próprio”, escreve La Stampa. Num país onde a eutanásia ainda é tabu, a sua morte é uma proclamação final de liberdade numa vida anárquica. “Quis decidir tudo por si próprio até ao fim, tal como nos seus filmes”, disse o crítico Paolo Mereghetti.”
O cientista social Darcy Ribeiro, fugiu do hospital para se tratar, e terminou de revisar o exelente livro “O Povo Brasileiro”.
Acredito que Mario Monicelli quis fugir também do hospital, só que errou o caminho e saiu pela janela. Infelizmente era no quinto andar.

Nosso avô extraterrestre LUCA

Hoje quinta-feira (30 de dezembro de 2010), as 17,00 horas de Brasília NASA estará fazendo revelações sobre a possibilidade de vida extraterrena.

Os porta-vozes da descoberta serão a diretora do Programa de Astrobiologia da Nasa, Mary Voytek, a pesquisadora Felisa Wolfe-Simon, a astrobióloga, Pamela Conrad, Steven Benner, da Fundação para a Evolução Molecular Aplicada (Gainesville) e James Elser, professor da Universidade do Estado do Arizona.

Nas especulações da imprensa internacionais, enlouquecidos com a afirmação que será feita através da TV da NASA (http://www.nasa.gov/ntv) cogita-se a descoberta de uma bactéria descoberta no Lago Mono, no Parque Nacional Yosemite, na Califórnia, rico em arsênico metal extremamente venenoso para permitir a existência de vida. A bactéria usa o arsênico como meio de sobrevivência, colocando a possibilidade de existência de vida em planetas onde se considerava inviável.

A tal bactéria comedora de arsênico, teria sido trazida por um meteoro ou uma nave espacial.

 

 

 

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Ficção muita imaginação? Liberação geral na Califórnia?

O fato tem causado agitação é a base da Teoria da Panspermia, que afirma que a vida chegou do espaço, na forma de germes ou esporos.

A vida bactérias, plantas, e animais teriam um Último Ancestral Comum (L.U.C.A. sigla em inglês)

O último ancestral universal ou último ancestral comum é o hipotético último ser vivo a partir do qual todos os seres vivos que vivem atualmente na Terra descendem. Por isso é ancestral comum mais recente de toda a vida atual na Terra. Estima-se que tenha vivido 3,6 a 4,1 mil milhões de anos atrás.

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Um diagrama juntando todos os grupos principais de seres vivos ao Último Ancestral Comum (o tronco preto na parte de baixo). Este gráfico foi feito a partir de sequências de RNA ribosomal.

L.U.C.A. hipotético ancestral teria vindo do espaço. Seríamos poeira das estrêlas (Stardust).

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Lago Mono parque nacional de Yosemite aparece em numerosas longas metragens, sendo um dos exemplos mais conhecidos o Star Trek V: The Final Frontier.

domingo, 25 de julho de 2010

Pensamentos: Preta Chaves “Eu sou neguinha?”

Explicação:
 
Tenho recebido emails sobre o Blog, e estes recebi ontem da Preta Chavez. Não a conheço pessoalmente, ela é de Indaiatuba, filha da D.Zezé do Edimur, velho parceiro da antiga.
Há quase 25 anos não o encontrava. Na Convenção do PSB, ele atravessou a Avenida da Liberdade correndo, quase foi atropelado.
Desse reencontro, começou uma troca de emails, surgiu aí Preta Chaves, que citei no post “Eu sou neguinha?”, somente como “Preta......”.
Ontem mantivemos uma série de emails. Solicitei autorização para publicar. Preta Chaves concordou.
Mostra o que uma parcela de jovens pensa.
Ia dar uma formatada, mas acredito que a forma de emails é a mais certa de mostrar como foi essa troca de sentimentos.
Apenas dei uma arrumada para facilitar a leitura:
 

Pensamentos da Preta Chaves : “Eu sou neguinha?”

erika Preta Chaves
qua 7/7/2010 21:17
Já estou cansada de ver injustiças nesses pais, principalmente no que se diz respeito aos negros.
Claro que ninguém é igual a ninguém assim como nem todos pensam igual, mas para mudarmos definitivamente várias coisas deveriamos seguir a mesma linha de raciocínio.
O negro tem o menor salário, o negro não esta no poder...até quando???
Nos negros não devemos nos deixar oprimir, temos que levantar a cabeça e lutar, lutar e lutar. Nada vem de graça se você não trabalha você não come e isso é muito justo, já que temos que lutar para viver porque não lutar um pouco mais para viver um pouco melhor???
Engraçado né se uma mulher branca "faz um barraco" na porta de um banco, as pessoas dizem: "Olha ela é corajosa, ela fala não tem medo, etc". Agora se é uma negra "Tinha que ser preto pra fazer isso, é maloqueira" e dai por diante.
Porque é bonito uma branca expor seus pensamentos e uma negra não? Já vivi uma situação dessa e tive que aturar o povo me olhando com cara de aberração, ainda bem que não ligo, fiz e não me arrependo até porque todas as outras vezes que fui ao mesmo banco nunca mais tive problemas.
A mulher negra não pode ser a atriz principal, mas pode ser a cozinheira sempre, não pode ser gerente, mas limpar o chão pode, não pode ser deputada, mas ser copeira pode, mais uma vez pergunto até quando?
Ao longo de meus 28 anos já tive muitas experiencias na vida, algumas boas outras nem tanto, mas que me fizeram ser essa pessoa que sou hoje Érika dos Santos Chaves também conhecida como Preta Chaves.
Não tenho medo de expor meus pensamentos, entro e saio de onde eu bem entender, procuro sempre usar a educação que recebi de meus pais, mas quando não tem jeito uso a que eu mesma desenvolvi para sobreviver.
Eu nasci pra fazer a diferença, tenho orgulho de ser quem sou e não troco, não vendo e nem alugo a minha vida, os meus pensamentos e muito menos o meu modo de ser. Se agradei bem senão amém nem Jesus agradou a todos imagina eu.
Preta Chaves

Date: Wed, 7 Jul 2010 21:27:06 -0300
Preta
Tá tão bonito dona Pretinha chegou, lemos e ficamos com os olhos mareados.
BOA DONA PRETA CHAVES!!!!!!
Vamos publicar no blog?
Força e Fé
Mano velho Hugo

qua 7/7/2010 21:33
Pode publicar sim.
Acabei de deixar uma opinião lá
.
1 comentários:

Preta Chaves disse...
Esta ótimo oq acabei de ler, Hugo parabéns.
Pra ser negro não precisa ter a pele negra e sim o coração o orgulho.
Ahhhh se todo negro fosse assim...se valorizariam mais e deixariam de "abaixar" pros outros.
Eu tenho orgulho sim sou Érika ou Preta Chaves como preferir, sempre de cabeça erguida, lutando, correndo, só não posso parar...tenho muito oq fazer ainda.
E eu acredito que um dia vamos ser respeitados em todo e qualquer lugar, mas para isso temos q nos UNIR pra mudar essa realidade em que vivemos.
PODER PARA O POVO PRETO!!!
Preta Chaves
7 de julho de 2010 21:32 clip_image001

qua 7/7/2010 21:40
Eu sou aquela pessoa que não me importo se vc me acha bonita até porque eu soumaravilhosa, não me peça pra usar salto se quero usar tenis, é feio??? e daí eu gosto
Ouço RAP adoroooooo sabe pq? Retratam perfeitamente a cara da periferia "a mais as letras são agressivas"... não são não, a realidade incomoda e é isso q o rap faz mostra a realidade.
A intenção da música é alertar mas tem aqueles que a absorvem e fazem oq diz nas letras, fazem completamente ao contrário.
As pessoas criticam sem saber. É a mesma coisa uma pessoa criticar uma religião sem nunca ter participado de um culto pra saber como é. Oh mania feia né, só pq fulano falo é daquele jeito... É mais facil perder um tempinho e comprovar do que sair falando sem saber como realmente é, concorda comigo?
sou uma pessoa de muitas ideias boas, algumas acredito q duras demais mas nenhuma foge da realidade pode ter certeza, e eu tenho certeza que vou conquistar muitos espaços e fazer com que muitos ouçam a minha voz....
.
Preta Chaves

Date: Wed, 7 Jul 2010 22:00:09 -0300
Dona Pretinha falou que você é sacudida.
É Phodida mesmo!!!
Nos enche de orgulho.
Hugo e Josiani

qua 7/7/2010 22:02
Foi uma pena não nos encontrarmos no dia da Convenção, mas com certeza oportunidades não nos faltará.
Eu sou meia doida mesmo,rsrsrsrs.
Preta Chaves

qua 7/7/2010 22:07
Vc é da tribo!
O que é ser normal?
Deve ser muito chato!
Força e Fé
Mano velho Hugo

Date: Wed, 7 Jul 2010 22:10:01 -0300
Amanhã  eu dou  uma formatada e publico a tua emoção!
Tamos juntos, nossa irmã de fé, camarada!

qua 7/7/2010 22:24
Belezinha então eu só escrevi nem me atentei a erros de portugues, rs faz parte.
Tamos juntos sim, vamos unir nossas forças e vamos ver no que dá.
Preta Chaves

Date: Wed, 7 Jul 2010 22:37:48 -0300
Boa noite Preta
Estamos amparados, pelos que se foram e se manifestam nas nossas palavras.
Encontraremos nossos irmãos, e aliados.

qua 7/7/2010 22:39
Boa noite Hugo
Concordo com vc viu.

“Eu sou neguinha?”

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A música forte de Caetano bate em formas muito diferentes. Já houve acusações de ser uma letra racista, de estar havendo excesso do patrulhamento do politicamente correto.

Creio que se pode abordar com mais detalhes. O que tenho pensado é porque a música pega como chicle? Por que a letra penetra na alma?

Deve ter mil e duas mil razões. Tenho pensado, “Eu sou neguinha?”, traz o momento de indefinição, se você vai ou não vai, se é ou não é.

É a encruzilhada!

A música e letra trazem infinitas mensagens inconscientes. Pega geral!!

“No tempo em que eu sonhava” (Belchior) e fazia poesias nos botecos, caminhando como Agostinho Neto, militante e poeta (presidente emérito de Angola), mostrei as pobres letras a um amigo. Ele leu e perguntou: “Você escreve de cara limpa?” “Tá tudo muito direto!”

“Eu sou neguinha ?”, não é direto, entra por diferentes formas na sua cabeça:

Eu Sou Neguinha?

(Caetano Veloso)

“...
Eu era o enigma, uma interrogação
Olha que coisa mais que coisa à toa, boa boa boa boa boa
...
Bunda de mulata, muque de peão
Tava em Madureira, tava na bahia

No Beaubourg no Bronx, no Brás e eu e eu e eu e eu
A me perguntar: Eu sou neguinha?

...
Eu não decifrava, eu não conseguia
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?”

A música surgiu em minha cabeça numa reunião, quando um jovem de pele “parda” (arghhh!), disse que não quer ser olhado como negro (a história é longa, mas tão interessante que conto em outra ocasião). Assumia suas origens afro, mas que hoje isso era coisa do passado.

Pensei tempos de Obama, pós-racial, raça só existe uma: a Humana.

Sou velho militante da fundação do MNU (Movimento Negro Unificado contra a discriminação racial 1978). Como dizia e escrevia um antigo “líder do movimento negro” que tinha espaço na alta mídia, “esses negros com um discurso antigo, ressentido...” Sou um dinossauro, mas muito bem atualizado.

A questão não é isolada, a uma reunião, nem a posição do companheiro que não quer ser classificado como negro. O jogador Neymar do Santos, fez uma declaração polêmica dizendo não ter sofrido preconceito “por não ser preto”.

clip_image004 Jogador Neymar

Quem comprou essa discussão foi o ex jogador Paulo Cesar Cajú, em entrevista para Folha de São Paulo, perguntando: Neymar é amarelo?

Campeão do Mundo com a seleção de 1970, o ex-jogador Paulo César Caju ataca a desunião da categoria no Brasil e diz lamentar a falta de consciência dos atletas negros

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Folha - O que acha da frase do Neymar dizendo que não se considera negro?
Paulo César Caju - Qual a cor do Neymar? Pelo amor de Deus! Essa é a diferença entre o americano e o brasileiro. Americano fala: "Eu sou negro". Não tem essa de mulato. Tem raça preta, branca e amarela. Neymar é amarelo?

(texto pode ser lido em http://www.geledes.org.br/sos-racismo/neymar-e-amarelo.html)

A questão não é nova, Ronaldinho levantou a polêmica ao dizer em alto e bom som que não é negro. Nem mesmo sua retratação serviu para pôr panos quentes no assunto.

A revista Raça Brasil, na época reuniu jovens, e fez uma matéria fantástica:

“ SER NEGRO É UMA QUESTÃO DA COR DA PELE?” Merece ser relida hhtp://racabrasil.uol.com.br//Edicoes/88/artigo9206-2.asp

É a visão de jovens que se assumem como negros independentes da cor da sua pele. Não é fácil até hoje nos meu quase 65 anos, sou cobrado, pela minha afirmação étnica. Sou negro, mas não apenas negro! (Esmeraldo Tarquinio).

“Mas o cara é branco!”, “O branco que pensa, que é negro”, e até de “Racista”, foram várias frases que ouvi na minha vida, (já um tanto longa...rsrsrs).

Hoje para quem não me conhece, é estranho ver os velhos companheiros, hoje negros velhos respeitáveis, desses que os moços fazem questão de chamar de senhor, me considerarem um militante “companheiro negro das antiga”. Hoje somos a Velha Guarda, atuante e consciente.

Não é fácil no Brasil, se auto-afirmar. Mas é uma questão vital.

Fiquei contente de receber o email, de uma filha de amigos, o Nick dizia com orgulhoso: “Preta...”, há jovens e jovens....

O cantor Gerônimo, em 1987, colocou o Brasil para cantar o refrão: Eu sou negão
Meu coração é a liberdade
Gerônimo do Curuzu ilê, tem a pele clara.

Amigos me diziam, quando uma pessoa de pele clara, se afirma como negro. Quem tem a pele mais escura, e se afirma como branco, como fica?

“Eu sou neguinha?” Aí cabe muito bem, a questão!

Banda Fanstasmão

Estou encantado com um grupo de jovens de Salvador. A Banda Fantasmão, onde pessoas de várias tons de pele canta a igualdade dos guetos. Letra reta e direta.

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O rosto pintado como no livro de Frantz Fanon, trechos da poesia de SolanoTrindade.

Sua música: Eu sou negão leva na letra, um discurso, que assino em baixo.

No You Tube onde está a música já teve mais de 350 mil exibições. http://www.youtube.com/watch?v=b23M3u6w5ZY

Eu sou negão

Banda Fantasmão:

Eu te digo que você sai do ghetto
Mas o ghetto nunca sai de você
Se é que você tem o ghetto no coração*


Eu sou da favela
Eu vim do ghetto


Batendo na panela, derrubando o preconceito
Pra você que pensa, que nego correndo é ladrão

Tem branco de gravata
Robando de montão
Mas pra você do samba
Que não tem classe, não tem cor
Que vai bater seu peito
E despertar o amor


Eu sou negão, eu sou do ghetto
E você, quem é?

Sou fantasmão, eu sou do ghetto
E você, quem é?
Eu vim de lá, de lá eu vim

Não foi tão fácil chegar aqui
Esse microfone, é meu armamento

Sou fantasmão,
Tou pronto pro arrebento


Eu sou negão, eu sou do ghetto
E você, quem é?

Sou fantasmão, eu sou do ghetto

Eu acredito no homem
De cabelo crespo, de pele escura
Que andava entre mendingos e leprosos
Pregando a igualdade
O homem que é chamado Jesus
Só ele sabe a minha hora*

Vou voltar a fazer poesia

sexta-feira, 9 de julho de 2010

“Epopéia Paulista”

Há poucos dias, uma surpresa, encontrei uma moça recém vinda de Montes Claros, norte de Minas. Sempre me emociona porque meu pai Tenente Ferreira, é de uma cidade na região, Riacho dos Machados, região de quilombos. Em 1958, quando meu pai faleceu em São Vicente SP, de causas naturais (vocês vão entender o porquê coloco dessa forma), ele tinha a intenção de voltar a Riacho dos Machados.
Havia saído de casa com 13 anos, e nunca mais retornara. Nem havia tido mais contatos com os parentes. Hoje em 2010, é meio difícil entender essas distância e afastamentos. Poucas estradas, telefone era um luxo.
Recordo que por 1952 e 1958, telefonar era uma aventura. Não havia telefones em casa, os telefonemas eram feitos nas centrais telefônicas. Em São Vicente, na época de temporada, fazia-se fila de dar volta em quarteirão, lembro-me que para fazer um telefonema para São Paulo, demoramos mais de oito horas. Imagine as estradas, na época a via Anchieta estava sendo ampliada, e já o percurso entre São Paulo e a baixada de Santos, era uma aventura.

Imagine enfrentar 1000 km, distância entre São Paulo e Montes Claros, e de Montes Claros até Riacho dos Machados, é de aproximadamente 160kms. Era a intenção do meu pai, voltar a cidade natal. E como num planejamento estratégico militar, ele com mapas, riscava, anotava e conferia. Eu garoto com mais ou menos 11 anos, perguntava ansioso: Pai quando vamos?
Ele respondia meio desapontado, é muito longe, só de avião e não há avião direto. É muito caro, mas aí voltava animado para seus cálculos e planos.
Um dia voltando do trabalho, era militar reformado, na época tinha uma imobiliária em frente do Edifício Gaudio na praia do Gonzaguinha, caiu na rua e morreu.
Foi bem em frente do Hospital Municipal. Socorreram imediatamente, mas como se dizia na época: “morreu como um passarinho”.
Nunca tive condições de retornar a Riacho dos Machados.
Edi este é o nome da companheira de Montes Claros, um dia fez no escritório do Chinelo, sindicalista de Araçatuba, uma comida para os companheiros. Apressado conversando, fui me deliciando, sem saber muito ou me importar com o que estava comendo. De repente parei um gosto conhecido, me fez atentar.
Era quiabo com abóbora, comida de infância, comida dessas que fazem bem para a alma.
Porque essas memórias no dia de hoje? Feriado de 9 de julho de 2010, há 68 anos em 1932, ocorria a Revolução Constitucionalista em São Paulo.


clip_image002Meu pai socialista militar do Exército participou do Movimento Tenentista, nas revoluções de 1920, 1924, e em 1925 participou da coluna Coluna Miguel Costa-Prestes, com a tropa que saiu de São Paulo, para juntar as tropas vindas do Rio Grande do Sul. Pregando reformas política e sociais, denunciavam a miséria da população. É considerado a atividade guerrilheira mais intensa da história.
Participou da Revoulução de 1930, junto com o movimento tenentista. Em 1932 meu pai o Tenente Ferreira, com outros camaradas de arma, contra os desmandos e autoritarismo, juntou-se a Revolução Constitucionalista, que hoje é comemorada, mas esquecidos seus ideiais e projetos.

Nessa revolução meu pai por pouco escapou de  se tornar um héroi.
Sua perna esquerda, quase foi estraçalhada por metralhadora, na chamada batalha do Tunel da Mantiqueira (ou tunel de Cruzeiro) no Vale do Paraíba, os ex-combatentes colocam como o local mais sangrento da Revolução de 32.


clip_image004Tunel da Mantiqueira, 1932.
http://peregrinacultural.wordpress.com/2008/10/04/metralharam-o-aviao-da-ditadura-revolucao-de-1932/

No hospital, tentando se recuperar, numa noite a enfermeira disse chorando: “- Tenente Ferreira, pela manhã os médicos vão corta sua perna. É bem capaz que o senhor morra.”
Meu pai no meio da noite fugiu do hospital. Voltou para casa, havia nascido minha irmã Cida, e ele não havia visto. Pensou em viver.
Não morreu, não se tornou héroi!


Sua perna sarou, quase não se notava no andar, mas quando de calção a enorme cicatriz,na coxa quase sem carne, mostrava de que fibra são feitos os homens.
Um risco de baioneta no braço, uma falange no dedo faltando (“-ficou no carregador automático da metralhadora” contava). Uma cicatriz redonda no meio do peito, quase uma medalha, sinal de uma bala não retirada perto do coração.
Um sobrevivente que morreu de morte natural, “como um passarinho”...
Lembro muito bem de meu cantando, uma embolada, que depois vim saber que era de Manezinho Araújo, hino popular na década de 30:


“Pra onde vai, valente?
Vou pra linha de frente,
Tava na feira
C'a pistola e um cravinote
O muleque deu um pinote
Me chamou mode brigá.
Pego no meu punhá
Enfio a faca, o sangue pula
Moleque você não bula
Com Mané do Arraiá.
Veio um sordado
C'um boné arrevirado
Com dois oio abuticado
Que só cachorro do má.
Botou-me a mão
Home, me disse, você tá preso
E eu fiquei c'um braço teso
Na cara lhe quis passá.
Pra vadiá
Eu sou caboco bom na briga
Mas só gosto da intriga
Quando encontro especiá.”
http://www.youtube.com/watch?v=TiiK998JVTY
Músicas trazem emoções contidas, de épocas antigas.




A companheira Silvana, se emocionou ao ouvir “Prá onde vai Valente”, música que cantava na sua infância. Com vitalidade, milita e agita ela é de 1938.

Nunca soube sua idade correta, não tinha certidão de nascimento, mas uma declaração de idade, que anunciava como nascido em 1901, minha mãe dona Jadyr, comentava: “Ah! Esse Ferreira, tirou uns vintes anos da certidão.” O velho Tenente Ferreira sorria...
Não se tornou herói morto, vivo gerou mais filhos, uma filha e eu que sou a raspa do tacho, nascido em 1946.
Aos tantos heróis anonimos dessa Revolução d e 1932, mortos e sobreviventes do conflito, nossa homenagem.

Ao meu pai Tenente José Ferreira da Silva, forja do meu cárater e vida. A homenagem do seu filho.

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Cartaz da Convocação



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Escadaria da Catedral da Sé


O povo acorria às ruas abraçando e beijando os bravos soldados paulistas clip_image009
que partiam para lutar pela Constituição

 

 

 

 

 

 

 

Mulheres, índios e negros participaram da Revolução de 1932





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A colaboração da mulher paulista na campanha foi inestimável. Elas honraram a
tradição



Os voluntários se apresentaram imediatamente. Todos queriam combater pela clip_image013causa da legalidade. Pela causa de São Paulo e do Brasil.
Na foto, um contingente de voluntários da revolução de 32, constituído por índios.
Eles demonstraram excepcional fibra em todos os combates





 






clip_image015Ao som de dobrados marciais, as tropas revolucionárias desfilaram pelas ruas da capital paulista, debaixo de estrondosa manifestação
 
 

 
 



A "legião negra", constituída por elementos de cor, revolucionários clip_image017
 





Fotos e textos
http://www.novomilenio.inf.br/festas/1932sp04.htm






 
 
clip_image019 Chefe do Estado Maior o coronel negro do exercito Palimercio de Rezende
No exercito no século passado, era uma forma do negro, se afirmar como cidadão pleno.

O Exército brasileiro contou com apenas cinco generais negros ao longo de 358 anos de história, apesar da grande participação deles no contingente total. A informação faz parte de uma pesquisa do jornalista Sionei Ricardo Leão, cujos dados integram o documentário "Kamba Racê" sobre o papel dos negros na Guerra do Paraguai”
http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/95653.html




O Tenente José Ferreira da Silva, entrou analfabeto no Exército, estudou e formou-se oficial na Escola Militar do Realengo, na ocasião de sua morte estava reivindicando a promoção de patente para o posto de Coronel. Idêntica aos seus colegas de turma e de caserna.


A esses tantos heróis de nossa história, a letra de "Mestre Salas dos Mares", de Renato Vargas, em homenagem ao marinheiro negro João Cândido, “almirante negro”, “dragão dos mares” mostra os seus monumentos:


“Mas salve
Salve o navegante negro que tem por monumento as pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo”


Maiores dados sobre a revolução de 32:
A revolução em fotos

http://www.novomilenio.inf.br/festas/1932sp00.htm
Excelente trabalho histórico, documentado com fotos da época.

A Legião Negra : Os Negros na Revolução Constitucionalista de 1932
http://www.geledes.org.br/afrobrasileiros-e-suas-lutas/a-legiao-negra-os-negros-na-revolucao-constitucionalista-de-1932.html
de Mauricio Pestana leitura fácil, o desenho ágil em quadrinhos

terça-feira, 6 de julho de 2010

Zambukaki

Vamos para Zambukaki

Lá não tem rei nem rainha

Nem nunca teve patrão

É a terra sem males

De longa inspiração