quarta-feira, 19 de abril de 2017

Colonização holandesa versus portuguesa

Ironias da história, heróis ou vilões?

Modelo de colonização Holandês versus Português

Mauricio de Nassau

Ponte Maurício de Nassau - Recife

Em história não existe “se”, existe a realidade objetiva. No imaginário brasileiro há os “se”: “Se o Brasil tivesse sido colonizado pelos holandeses”, ou pelos ingleses...

 Boi voador 2   Boi voador

Versões do “Boi Voador”

Até hoje o Conde Maurício de Nassau é cultuado, e é contado a história do “Boi Voador” na ponte do Recife. Inventou o pedágio, para quem quisesse ver a maravilha da velhacaria.

Figura emblemática e polêmica foi Calabar, Domingos Fernandes Calabar (Porto Calvo, 1609 — 1635) senhor de engenho na capitania de Pernambuco, aliado dos holandeses. Tido como o maior traidor da história brasileira.

Domingos Fernades Calabar Domingos Fernandes Calabar

Na época da Ditadura Militar, Domingo Calabar (adepto dos holandeses) vira-casacas brasileiro, quase foi canonizado como gênio incompreendido da raça, ao invés de traidor. Dono de terras e engenho, aceitou as recompensas (propinas) e mudou de lado.

Calabar elogio da traição   Peça de Ruy Guerra e Chico Buarque

O questionamento da versão oficial de traição, era em (1973) a censura do regime militar, e a massificação das versões dos fatos pela mídia oficial ou oficiosa. Passava a necessidade de serem questionadas as versões comuns

As invasões holandesas foram o projeto de ocupação do Nordeste (centro econômico e cultural do Brasil) pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (W.I.C.) durante o século XVII. Composta por mercadores holandeses, organização privada de comércio externo. Diferente do modelo do comércio português fortemente dependente do Estado.

A colonização holandesa no Brasil, foi combatida pelo sentimento nascente de cidadania brasileira, da “Insurreição Pernambucana”, que se opôs aos holandeses e contra a Coroa Portuguesa que já fizera um acordo com Companhia Holandesa aceitando a perda do Nordeste. Angola também ocupada pela Companhia Holandesa, foi “libertada” por tropas brasileiras (visando o comércio de escravos).

“Se” o Nordeste brasileiro e Angola tivessem permanecido sob o domínio da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (W.I.C.), Domingos Fernandes Calabar seria herói. O modelo de organização de companhias privadas sem o estado, seria o modelo de organização.

Haveria congresso, deputados, eleições? “Se”... talvez exista numa realidade alternativa esse Brasil Holandês.

A Odebrecht seria nosso orgulho de organização privada de atuação internacional.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Salve o Almirante Negro! - Homenagem que a Ditadura Militar não apagou

 

HOJE na HISTÓRIA – 6 de Dezembro de 1969
JOÃO Cândido a Revolta da Chibata e o Encouraçado POTEMKIN.
►MORRIA um dos líderes da Revolta da Chibata, JOÃO CÂNDIDO Felisberto, também chamado de Almirante Negro, aos 89 anos, em um dia como este, no Rio de Janeiro. Ele liderou a revolta da Chibata, que denunciou o uso sistemático da violência dentro da Marinha do Brasil contra marinheiros de baixa patente.

NOS CAMINHOS do mar, João Cândido conheceu muitos lugares, onde pode aprender sobre seu ofício e sobre a luta dos trabalhadores.
►NUMA das viagens que fez à Grã-Bretanha, em 1908, ficou sabendo da revolta dos marinheiros russos (do Encouraçado POTEMKIN), acontecida em 1905, na qual reivindicavam melhor alimentação e condições de trabalho.

Gravação histórica ao vivo, feita durante a sessão musical, com voz e violão (Happy Hour), que aconteceu no Restaurante Dom Maior, no centro do Rio de Janeiro, dia 20 de agosto de 2010.
Apresento aqui, pela primeira vez, uma das "versões" da letra original, sem a censura que ela sofreu em 1974, durante a ditadura militar no Brasil.
Como foi a primeira vez que eu a cantei, e em clima de improviso, pois resolvi fazer isso momentos antes, algumas vezes eu mencionei as palavras da letra censurada, que a Elis e o João Bosco gravaram, em plena ditadura militar, e que ainda estão fortes no meu subconsciente, apesar do Aldir ter brincado com essas trocas e colocado palavras que dão um sentido esquisito pra letra ! :)
Depois de gravar esse vídeo, descobri que existem várias "versões" desta letra original, na internet ...
Por sorte, encontrei um vídeo da Elis cantando - no Chile - a versão original.
http://www.youtube.com/watch?v=g7N1zt...
Pretendo, brevemente, gravar outro vídeo, com essa versão, que - cantada pela Elis, lá no Chile, na própria época de lançamento da música e em plena ditadura militar ( ... a brasileira ...) eu considero definitiva e que transcrevo abaixo:
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O Mestre-Sala dos Mares (título liberado)
Compositores: Aldir Blanc e João Bosco
Ano: 1973
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"ALMIRANTE NEGRO" (Título original)
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(Letra original)
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como Almirante Negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar, na alegria das fragatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos negros pelas pontas das chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que a exemplo do marinheiro gritava - não!
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o Almirante Negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo...

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Outras ótimas informações sobre João Cândido (o Almirante Negro), a Revolta da Chibata, a experiência de Aldir Blanc e João Bosco frente à censura desta letra, durante a ditadura militar brasileira.
http://www.dhnet.org.br/memoria/texto...
http://www.artilhariacultural.com/?p=...
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3...
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_...
http://recantodasletras.uol.com.br/co...

domingo, 20 de novembro de 2016

Negros, pretos e oportunistas

 

Zumbi

Para nós importa sermos negros

por serem duas as opressões

explorados e negros

no Brasil céu de anil

negro que se diz negro

assume o revolto

quilombo de sua vida

Hugo Ferreira Zambukaki

sábado, 12 de novembro de 2016

Expo Missa Afro da Igreja do Largo do Rosário (Penha)

Abertura Expo Missa Afro da Igreja do Largo do Rosário (Penha)

De 11 de novembro à 24 de novembro – Passagem Literária da Consolação

Grupo Poética em Construção

 

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Difícil mexer com lembranças, pela primeira vez fui até a Passagem Subterrânea na Consolação com Paulista a “Passagem Literária da Consolação”. Para mim idoso septuagenário, o mundo entre o Cine Bela Vista e o Bar Riviera.

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Recordações de um período de 21 anos da Ditadura e o combate para a redemocratização, perante o fantasma do atual retrocesso em São Paulo.

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Vivemos tempos difíceis, o Movimento (s) Negro (s) e até o 20 de novembro são contestados por setores reacionários usando oportunistas. Renovar e renascer é preciso, buscar soluções e ideias. Nada melhor que experiências de Comunidades, organizando-se e vencendo dificuldades. E mais significativo usando velhas formas de organização popular.

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A Comunidade do Largo do Rosário na Penha de França em São Paulo, organizou-se quando em 2012 houve a ameaça da demolição da Igreja. Construída pela Irmandade da Igreja do Rosário dos Homens Pretos de Penha de França, fruto de esforços de libertos e escravizados, organizados nas Irmandades do Rosário, é a única original em São Paulo, conta a jornalista Carolina Conti do “Grupo Poética em Construção”.

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“Por oito meses, fotógrafos do grupo Poética em Construção registraram as inúmeras expressões de fé manifestadas durante o Cerimonial e essas imagens farão parte da exposição "Missa Afro - Registros de uma história de memória, resistência e devoção em Penha de França” diz o texto da exposição.

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Uma luta de devoção, na missa afro de todo primeiro domingo do mês desde 06 de outubro de 2013, resistência que necessita de apoio.

No centro da cidade, a atual Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Paissandu, é uma construção nova. A antiga (construída por volta de 1721) no Largo do Rosário foi desapropriada em 1903. “Por esses acasos do destino, os remanescentes do cemitério, que era de propriedade da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, foram parar às mãos do... irmão do prefeito, o sr. Martinico Prado. Ali se construiu o Palacete Martinico Prado, que já abrigou o Citybank e, hoje, acolhe a Bolsa Mercantil e de Futuros.” (fonte Wikipédia)

O mesmo risco de demolição corre a Igreja do Rosário da Penha, e as 120 fotos da exposição, selecionadas entre mais de 500 fotos de vários fotógrafos mostram o acompanhamento da organização, resistência da Comunidade por 8 meses na visão do Grupo Poética em Construção.

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Fui convidado por Carolina em abril para conhecer a Igreja e a Comunidade na Penha, desses convites em que os anjos sussurram, e nos fazem retomar histórias familiares mais antigas que a nossa própria vida.

Tenente Ferreira Realengo

Meu pai José Ferreira da Silva, mineiro do norte de Minas, soldado no Exército participou da Revolução de 1924 e ficaram sitiados na Penha. Anos mais tarde seguindo carreira formou-se oficial na Escola Militar do Realengo no Rio por onde também se formou Luís Carlos Prestes. Meu pai Tenente Ferreira, participou do Movimento Tenentista e levantou-se contra a Ditadura Vargas em 1932, onde teve sua perna esquerda metralhada. Minha família morava na Penha, nasci em 1946 e por motivos vários minha família teve de mudar-se.

Voltar à Penha de França, e juntar-se à uma luta de resistência, é manter uma tradição de luta e devoção.

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Uma exposição de peso e vitalidade para se conferir:

“Viva São Benedito! Viva Nossa Senhora do Rosário! Viva a Igreja do Rosário dos Homens Pretos de Penha de França!
Axé!
O grupo Poética em Construção é formado por
Carolina Conti, Daniela Lucheta, Monica Borges, Marcelo Patu, Sebá Neto, Tatiana Vasconcellos, Sergio Cruz e Ricardo Biserra.
Curadoria de Pedro Clash”

Abertura Expo Missa Afro da Igreja do Largo do Rosário (Penha) De 11 de novembro à 24 de novembro – Passagem Literária da Consolação Grupo Poética em Construção

https://www.facebook.com/events/1085300798254615/

Fotos Jô Muniz & Hugo Zambukaki

Texto Hugo Ferreira Zambukaki

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

RAQUEL SOLANO TRINDADE 80 anos

RAQUEL SOLANO TRINDADE 10 de agosto

Obrigado pelos 80 anos de Arte

RAQUEL SOLANO TRINDADE (1936)

Homenagem aos 80 anos de uma longa participação política e artística de Raquel Trindade, ativista da cultura negra, artista plástica, poeta, dançarina e coreógrafa. Uma cidadã brasileira.

Raquel Homenagem Dilma

Da esquerda para a direita: Dilma Rousseff, José Sarney, Marta Suplicy e Raquel Trindade. A pesquisadora, folclorista e artista plástica, Raquel Trindade, foi homenageada pela Ordem do Mérito Cultural no Palácio do Planalto, em Brasília(5/11/2012).

Raquel Trindade Souza, a Kambinda, filha mais velha do grande poeta negro comunista Solano Trindade e Maria Margarida Trindade, coreógrafa e terapeuta ocupacional nasceu no Recife( PE) grande conhecedora da história e cultura afro-brasileira, é considerada uma das maiores memórias vivas no Brasil.

Raquel Solano

Música, cultura e história correm por suas veias desde a infância. A avó materna Damázia Maria do Nascimento, cozinheira, dançava nos maracatus do Recife e Emerenciana, avó paterna, fazia lapinha, a casinha do presépio. Abílio Pompilho da Trindade, seu avô, sapateiro, era velho do pastoril e com ele Raquel ouviu muitas histórias que povoavam sua imaginação.

Raquel com 2 anos no colo da mãe em Recife

Raquel aos 2 anos com sua mãe Maria Margarida

Seu pai, que em 1936 fundara o Centro Cultural Afro-Brasileiro e a Frente Negra Pernambucana, transfere-se para o Rio de Janeiro na década de 1940 onde, de cristão evangélico passa a militante comunista, filiando-se ao partido de Luiz Carlos Prestes. Em Caxias (RJ), município onde se instalou, montou a célula Tiradentes reunindo camponeses e operários.

Sua mãe rumou com as filhas Raquel e Godiva para o Rio de Janeiro. As meninas ficaram no navio e Maria Margarida saiu para procurar o marido. Sua única referência era o Vermelhinho, um bar que reunia comunistas e onde Solano, seu pai, aparecia para conversar e vender quadros e poemas.
A família foi então morar no bairro da Gamboa, em um barraco que tinha o aluguel cotizado pelos amigos do pai. Com ele, a partir dos oito anos passou a freqüentar a Biblioteca Nacional, exposições de arte, Pinacoteca e Teatro Municipal. Conheceu também o balé-afro da Mercedes Batista e a orquestra afro-brasileira do Abigail Moura.
Seus pais ensinavam dança no Teatro Folclórico do Aroldo Costa e por intermédio deles conviveu com intelectuais da época, dentre eles, o artista plástico Aldemir Martins, a pintora Djanira, a atriz Ruth de Souza e Abdias Nascimento, criador do Teatro Experimental do Negro.
Com a mudança para o município de Duque de Caxias (RJ), Solano promoveu várias festas com Maracatu, Coco e Lundu danças ensinadas pela mãe. Também com os pais aprendeu que devia ter orgulho por ser negra e transitou entre o universo evangélico da mãe e as reuniões comunistas, coordenadas pelo pai.

80 anos

Envolvimento político que o levou, inclusive, por duas vezes à prisão, no período do Estado Novo. Anos mais tarde Raquel lembraria que, na estante de sua casa conviviam, lado a lado, na mesma prateleira, a bíblia da mãe e um exemplar de O Capital, de Marx, pertencente a seu pai.
Em 1950 seus pais e o sociólogo Édison Carneiro fundaram em Caxias o Teatro Popular Brasileiro (TPB) que, formado pela classe popular- donas de casa, operários (as), estudantes-, trabalhavam as origens de danças como maracatu, bumba-meu-boi e promovia, ainda, cursos de interpretação e dicção. As apresentações atraiam intelectuais, diplomatas e artistas.

Raquel Pinturas2

Raquel que se casou oito vezes tem três filhos - o compositor Vitor da Trindade, a artista culinária Regina Célia e a escritora dançarina Dada- e netos. Lembra que um dos casamentos aconteceu após uma viagem do TPB a Europa. Ela perdeu a virgindade no navio, com um dos músicos da equipe do pai, que ao descobrir ficou uma fera. O pessoal então, com a ajuda do cônsul, organizou o casamento em Varsóvia, na Polônia. No retorno a Caxias era uma senhora casada e assim ficou por três anos.

Na ocasião dessa viagem Raquel cursava o segundo ano do Clássico em um colégio particular no bairro de Laranjeiras e no qual só pode matricular-se, com a ajuda do professor Mira, que pagava as mensalidades. Mira era negro e Raquel lembraria, anos mais tarde, que isso não era uma coisa tão comum naqueles tempos: um professor negro de história.

Raquel aprendeu com os pais que o estudo é um dos mais preciosos bens que alguém pode deixar aos filhos. Gostava de estudar e lamenta que atualmente as crianças saiam das escolas sem que dominem a leitura, a escrita e o cálculo. Aos 12 anos ganhou o Prêmio Euclides da Cunha de literatura juvenil, competição nacional, com uma redação sobre a violência presente nos gibis da época

 

Guarda saudades das professoras. Após a conclusão do curso primário cursou o ginásio no colégio Duque de Caxias e vivia com as mensalidades atrasadas. Estabelecimento particular- ela e sua colega Dagmar eram as únicas meninas negras do colégio. Na adolescência Kafka, Dostoievski e Graciliano Ramos, dentre outros, emprestados pela biblioteca do colégio, foram alguns de seus companheiros. Também a revista A Classe Operária a tirava do serviço de casa o que provocava reclamações da mãe. Raquel passava horas lendo.
Raquel Trindade é Fundadora do TPST (Teatro Popular Solano Trindade) e da Nação Kambinda de Maracatu, instalados na cidade paulista de Embu das Artes, para onde a família se mudou na década de 1960. Fundado em 1975 e administrado pela família o TPST faz parte da luta, para que a memória de Solano, o Poeta do Povo, falecido em 1974, permaneça viva.

Festival Afreaka

Festival Internacional AFREAKA em 2015 Biblioteca Mário de Andrade SP


Na ocasião havia proposto um curso de extensão, no sentido de ampliar a reduzida presença negra na universidade. O sucesso da proposta, 170 alunos(as) inscritos, resultou na ideia de criar um grupo batizado de Urucungos, Puítas e Quinjengues, instrumentos bantos que foram trazidos pelos escravos para São Paulo. Composto por negros da comunidade, funcionários da Unicamp, alunos e professores, a maior parte das danças que o grupo apresenta foram pesquisadas e criadas por Raquel.

Valiosa fonte de conhecimento e vivência da cultura afro-brasileira, Raquel Trindade é uma de suas mais importantes Griot (guardiã do conhecimento). Sua atuação e testemunho têm sido de grande contribuição para o enfrentamento do preconceito contra o(a) negro(a), a mulher e o nordestino(a) na sociedade brasileira.

Fontes: Mulher 500 anos, atrás dos panos

Wikipédia

Imagens Internet

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Nos xingavam de racistas, e ainda matam negros...

 
Hoje dia 7 de julho de 2016, vejo o vídeo da morte do camelô Alton Sterling pelos policiais de “Baton Rouge” – Louisiana EUA. Choca e as imagens são fortes gravadas por sua namorada em um celular. Um homem dominado por dois policiais, recebe três tiros. Logo depois vejo outro vídeo com mais uma morte de um negro Philando Castile no estado de Minnesota, depois de uma abordagem por policiais. Duas mortes em dias seguidos.
 

Baton Rouge – Louisiana  Policial atira em Alton Sterling

 

 

 

Morte de Philando Castile em Minnesota
  Por que cito mortes de negros nos Estados Unidos?
Poderia falar da morte do Carlos Augusto Muniz foi morto num fim da tarde (19/09/2014) durante uma operação da PM na Rua Doze de Outubro, numa situação parecida dos Estados Unidos e também filmado por celular.


Vídeo mostra momento em que PM mata camelô Carlos Augusto Muniz  com tiro na cabeça em SP

Nesse mesmo dia (7 de julho) em 1978 em São Paulo, nas escadarias do Teatro Municipal o então “Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial”, erguia suas bandeiras contra a morte do jovem Robson Silveira da Luz, morto por policiais militares em uma delegacia e contra o impedimento da entrada de atletas negros nas piscinas do Clube Tietê.
Rua Mnu
Na época vigora na África do Sul o Apartheid, regime racista
Plena Ditadura Militar éramos vigiados e infiltrados como os registros da repressão relatam. Como a ideologia do Regime Militar era de negar o racismo, quem levantava bandeiras contra o racismo (inexistente segundo as normas oficiais) era xingado de racista.
O Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial, depois transformado em Movimento Negro Unificado MNU era formado por dezenas de entidades em São Paulo. Logo seguido por outros estados.
Em São Paulo uns apoiavam a Ditadura Militar outros eram contra. Mas esse momento foi de união entre todos. Um fato marcante dessa multiplicidade de ideologias, foi em 1982 os vários representantes negros eleitos pelo Partido de Oposição (MDB – Movimento Democrático Brasileiro) passaram a apoiar o PDS (antiga ARENA) liderado em São Paulo por Paulo Maluf.
No PMDB antigo MBD (nessa época uma frente contra a Ditadura) estavam políticos negros como prefeito cassado de Santos, Esmeraldo Tarquínio Filho, o vereador Benedito Cintra (o PC do B estava ainda na ilegalidade) e entre muitos companheiros Oscarlino Marçal dirigente sindical de esquerda e ex-presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade do Largo São Francisco. Oscarlino quando estudante derrotara no Largo São Francisco uma chapa de direita liderada por Michel Temer.
Nossa ideia era eleger deputados, vereadores, obter posições no Governo Democrático de São Paulo, ocupando secretárias. Numa reunião com o então candidato Franco Montoro ficou combinado que Esmeraldo Tarquínio ocuparia a pasta da Secretaria da Justiça e Oscarlino Marçal e Hélio Santos secretarias no governo municipal de São Paulo.
As eleições seriam no dia 15 de novembro, Esmeraldo Tarquínio vítima de um acidente vascular morreu 5 dias da eleição (12 de novembro de 1982), nosso sonho começava também a morrer.
Vendo as mortes no Estados Unidos, onde o presidente Obama é negro e não resolve a questão do racismo e mortes de negros. Questiono a nossa falta de representatividade no Brasil e uma ação efetiva da sociedade contra o racismo e discriminação.
Uma constatação, um questionamento.












segunda-feira, 27 de junho de 2016

São Paulo separada do Brasil, quem financia?

 

Um movimento separatista nascido em 2014 depois das eleições, onde o deputado Coronel Telhada reclamava da eleição: ¨Deputado estadual eleito em São Paulo, Coronel Telhada (PSDB) usou as redes sociais para manifestar sua indignação com a reeleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, que venceu o tucano Aécio Neves no segundo turno da eleição.”

Sampa Adeus

De início as considerações do deputado logo após as eleições (27-10- 2014) eram:

“Coronel Telhada fala em separar Sul e Sudeste do resto do país”

O coronel Telhada (PSDB), deputado estadual eleito em São Paulo, culpou nas redes sociais os eleitores que votaram branco, nulo ou que não votaram neste domingo (26) pela vitória de Dilma Rousseff.

A declaração foi mais amena que a publicada na noite de domingo, também em sua página no Facebook, quando Telhada disse que o Sul e o Sudeste deveriam iniciar "o processo de independência de um país que prefere esmola do que o trabalho, preferem a desordem ao invés da ordem, preferem o voto de cabresto do que a liberdade". Folha de São Paulo

Para o portal do site “Terra” era mais radical em seu pensamento separatista São Paulo deveria se separar de todo Brasil nem o sul e sudeste escapava: “O deputado estadual eleito disse estar “triste, estou muito triste” e que acha “que chegou a hora de São Paulo se separar do resto desse país”. “Que o Brasil engula esse sapo atravessado”, afirmou.

Tirando indignações do calor de quem perde eleições (2014), vemos surgir agora em 2016 um movimento chamado São Paulo Livre org., que aproveitando a saída da Inglaterra da Comunidade Europeia com o “Brexit” lançam o “SampAdeus”.

Casamento

Material do SPL com acabamento profissional

"A ação é encampada por uma organização não-governamental do Estado chamada São Paulo Livre surgido em 2014, que batizou o movimento de "SampAdeus", algo como São Paulo dizer adeus ao Brasil." Site bem organização na sua estruturação, e surge a pergunta quem paga os profissionais?

Muita gente séria, encara como brincadeira e acrescenta: “Apoio com entusiasmo e já vou fazer campanha pela Internet desde de que garantam que levam mesmo Temer, FHC, Serra, Alckmin, Tiririca, Kassab, Jair Bolsonaro & família, Pastor Marco Feliciano, João Dória, Paulo Maluf, Janaína, Paschoal, VEJA, Paulinho da Força, Alexandre de Moraes, Aloysio Nunes, FIESP & Skaf, MBL, Vem pra Rua, ITAU, Revoltados On Line, Folha, Estadão, Celso Russomano, Martha Suplicy, William Waack, William Bonner, Ratinho, família Setubal, Guilherme Leal, Guilherme Afif Domingos, Abilio Diniz, Eliana, Danilo Gentilli, Lobão, Adriane Galisteu, Silvio Santos &SBT, TV e rádio Band, deputado Fernando Máfia da Merenda Capez que levaria junto todo o PSDB paulista junto com o PP, PSD e Solidariedade. Se confirmarem, estamos juntos. ”

Realmente concordo com a brincadeira do texto, mas o que está atrás de tudo isso?

Quem financia esse movimento São Paulo Livre, que irá fazer “No dia 2 de Outubro, o SPL vai organizar um grande Plebiscito Consultivo ('Sampadeus')”.

Entendendo melhor é uma: “CONSULTA SEM VALOR LEGAL, E NÃO OBRIGATÓRIA” (Flávio Rebello – Presidente Nacional do São Paulo Livre) que montaria barracas nas calçadas. Claro que para confundir melhor no dia das eleições municipais, perto das votação das urnas municipais, e duas perguntas com resposta Sim ou Não:

1- “Você está insatisfeito com a atual representação política São Paulo na Federação?”

2- “Você gostaria que São Paulo se tornasse um país independente? “

(Informações dadas em entrevista pelo presidente nacional do SPL)

Beijo Reino Unido

Muita gente na Inglaterra votou a favor da saída do Reino Unido da União Europeia por “brincadeira para mostrar a insatisfação” e já se arrependeram com o resultado, existem mais de um milhão e setecentas assinaturas pedindo novo referendo, informa a Veja. O Reino Unido que é também formado pela Escócia (onde a permanência ganhou com 62%) está pedindo novo referendo pedindo a independência do Reino Unido.

Cunha tá

Quando os movimentos de paneleiros que agitavam a Paulista silenciam, vendo a ameaça de prisão de seu ídolo, muito estranho o surgimento de um novo movimento para arregimentar e mobilizar. Fica a pergunta quem financia e a quem serve esses movimentos?

E se São Paulo elegesse uma prefeita nordestina?  Usando a ironia: O tal país independente excluiria a cidade São Paulo?

Hugo Ferreira Zambukaki

Fontes

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1539043-coronel-telhada-critica-votos-nulos-e-defende-autonomia-dos-estados.shtml

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/indignado-coronel-telhada-fala-em-separar-sp-do-pais,5a94b9f2ffe49410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/pedido-de-novo-referendo-sobre-saida-do-reino-unido-da-ue-supera-17-milhao-de-assinaturas

http://economico.sapo.pt/noticias/brexit-pode-levar-a-novo-referendo-pela-independencia-na-escocia-e-a-crise-na-europa_252392.html