Vamos para Zambukaki! Lá não tem rei nem rainha Nem nunca teve patrão É a terra sem males de longa inspiração
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Um dia mataram Zulmira que era angolana
“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram
e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...”
Martin Niemöller - 1933 - Símbolo da resistência aos nazistas.
Um dia mataram Zulmira que era angolana
Como matam tantos jovens negros brasileiros
Indignado me importei
'Mapa do crime' será com participação dos moradores da capital.
11/03/2011 19h13 - Atualizado em 05/04/2011 18h48
Indique locais onde ocorreram roubos e latrocínios em SP
'Mapa do crime' será montado com participação dos moradores da capital.
Ponto de partida são os endereços onde universitários morreram.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo usa, há mais de dez anos, um sistema informatizado com os dados dos boletins de ocorrência, que viram um mapa do crime. As informações, no entanto, não estão à disposição da sociedade, pois são consideradas sigilosas. O SPTV e o G1 também vão elaborar um mapa, mas com a participação de quem já foi assaltado na capital. No mapa, serão destacados os endereços onde houve casos de roubo e latrocínio.
Para indicar um local, acesse a página Fale Conosco. A indicação será colocada posteriormente no mapa pela equipe de reportagem. IMPORTANTE: no texto, relate o que aconteceu com você, um parente ou amigo, escreva o endereço e quando o crime aconteceu. Deixe também o seu telefone para contato. Abaixo do mapa, veja um exemplo de como fazer a indicação.
Exemplo de indicação de crime: o estudante Nicholas Marins Prado, de 20 anos, foi assassinado na sexta-feira, 4/3, na Rua França Pinto, Zona Sul da capital paulista. Ele aguardava a chegada de amigos quando um homem armado o abordou.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
DIREITOS HUMANOS da CÂMARA: Repudio a prática de racismo no Brás!
Assassinato da estudante Angolana Zulmira de Souza Borges Cardoso
NOTA DE REPÚDIO
Assassinato da Estudante Angolana Zulmira de Souza Borges Cardoso
A COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS da CÂMARA DOS DEPUTADOS- CDHM , repudia veementemente a prática de racismo ocorrida no último dia 23 de maio, em um bar da Rua Cavalheiro, no Bairro do Brás em São Paulo - capital, e cujo desdobramento culminou no assassinato da Estudante Angolana ZULMIRA DE SOUZA BORGES CARDOSO e no ferimentos de mais três angolanos.
A África, nossa Terra – Mãe, tem sido espoliada de toda dignidade e riqueza ao longo de sua História. Seus povos tem sido subjugados pela miséria não obstante sua riqueza. O Brasil tenta contribuir para o desenvolvimento das diversas nações daquele continente, em reconhecimento ao papel que milhares de seus filhos tiveram e tem na evolução de nosso país, ainda que inicialmente submetidos à cruel escravidão.
Não pode haver retrocesso na política implementada pelo Governo Brasileiro ao abrir as portas do nosso país aos nossos irmãos Africanos. Aqui eles vem obter conhecimentos tecnológicos para se instrumentalizarem e erradicarem a miséria, a fome de pão e de dignidade de seus povos. Serão sempre bem-vindos esses personagens que buscam transformar o mundo em um lugar melhor para se viver.
A CDHM companhará de perto as investigações desses crimes bárbaros e cobrará das autoridades competentes a investigação e o devido processo legal do caso em tela. Que os autores dessas atrocidades respondam aos seus crimes e sejam lembrados como atores de um fato doloroso e execrável mas não suficientemente forte para destruir as pontes de fraternidade construídas entre Afro-Brasileiros.
Brasília - DF, 28 de Maio de 2012
DOMINGOS DUTRA
Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias
Deputado Federal (PT/MA)
Reunião da Articulação Justiça por Zulmira
Convocatória
III Reunião da Articulação Por Justiça diante do Assassinato da estudante angolana Zulmira
(13/06 – 17h Câmara Municipal)
O assassinato no bairro do Brás/SP da estudante angolana Zulmira nos chocou. Outros três imigrantes angolanos foram baleados, após agressões verbais de cunho racista.
Entidades negras, movimentos sociais e de imigrantes organizarão ações conjuntas exigindo das autoridades Justiça para o caso de Zulmira e políticas públicas sérias ligadas aos imigrantes no Brasil e contra a discriminação racial. Não vamos deixar o caso cair no esquecimento. Vamos organizar um ato público e atividades conjuntas na semana que se completa 30 dias do triste fato.
Esse convite é aberto a todas as entidades, artistas, grupos culturais, ativistas solidários e sindicatos que queiram participar da Articulação.
Próxima reunião dia 13/6, às 17h,
na Câmara Municipal – Sala Tiradentes, 8º. Andar
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Sou Negro porque encaro minhas origens
Negro
Não precisa ter cor, nem raça, nem etnia.
É preciso amar
É preciso respeitar
Não sou negro porque minha pele é negra
Não sou negro porque tenho cabelo embolado de “pixain”
Não sou negro porque danço a capoeira
Não sou negro porque vivo África
Não sou negro porque canto reggae.
No sou negro porque tenho o candomblé como minha religião
Não sou negro porque tenho Zumbi como um dos mártires da nossa raça.
Não sou negro porque grito por liberdade
Não sou negro porque declamo Navio Negreiro
Não sou negro porque gosto das músicas de Edson Gomes,
Margareth Menezes ou Cidade Negra.
Não sou negro porque venho do gueto.
Não sou negro porque defendo as ideias e Nelson Mandela
Não sou negro porque conheço os rituais afro.
Sou negro porque sou filho da natureza
Tenho o direito de ser livre.
Sou negro porque sei encarar e reconhecer as minhas origens.
Sou negro porque sou cidadão.
Porque sou gente.
Sou negro porque sou lágrimas
Sou negro porque sou água e pedra.
Sou negro porque amo e sou amado
Sou negro porque sou palco, mas também sou plateia.
Sou negro porque meu coração se aperta
Desperta,
Deseja,
Peleja por liberdade.
Sou negro na igualdade do ser
Para o bem à nossa nação.
Porque acredito no valor de ser livre
Porque acredito na força do meu sangue numa canção que jamais será calada.
Sou negro porque a minha energia vem do meu coração.
E a minha alma jamais se entrega não.
Sou negro porque a noite sempre virá antecedendo o alvorecer de um novo dia.
Acreditando num povo afro-descendente que ACORDA, LEVANTA E LUTA.
Genivaldo Pereira dos Santos Floresta Azul - BA.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Sociedade apoia os estudantes angolanos!
Zulmira Cardoso, mulher, negra, angolana. Assassinada com um tiro na testa por ser negra, estrangeira, africana, estudante com mestrado iniciando o doutorado de engenharia? Ódio e xenofobia. As testemunhas declaram, os angolanos estavam bebendo em um bar quando dois outros clientes, brasileiros, teriam xingado o grupo, como: “macacos”. “Vocês vieram de fora para tomar nosso lugar”. Houve uma discussão e os brasileiros foram embora. Cerca de 20 minutos depois, um dos brasileiros voltou, em um Gol prata, desceu do veículo e atirou contra o grupo de angolanos. Zulmira de Souza Borges Cardoso, 26, estudante de engenharia na Uninove, foi atingida na testa e morreu no local. Ela havia ido á um salão de beleza ao lado do bar. Celina Bento Mendonça, 34, grávida de cerca de oito meses, acabou ferida por dois tiros, um deles na barriga. Gaspar Armando Mateus, 27, foi baleado na perna. Renovaldo Manoel Capenda, 32, também foi atingido. Uma tentativa de massacre digna da Klu Klux Kla.
Um crime simbólico falando o que muitos preferem não ver: o Brasil é um país racista, machista e agora xenófobo. Muitos preferem acreditar que somos cordiais, uma democracia miscigenada, aberta para estrangeiros (europeus ou norte-americanos) e adoradores daqueles objetos de mulatas tipo exportação. Não é o primeiro crime contra imigrantes africanos ou haitianos.
Registramos nossa solidariedade com as comunidades de Angolanos e de Estudantes Angolanos no Brasil e somos favoráveis às mobilizações, protestos e pedidos de Justiça para esse caso, como o protesto ocorrido no Rio de Janeiro e de outros grupos organizados que denunciam o Genocídio da Juventude Negra Brasileira. A formação de uma frente contra crimes contra africanos, haitianos e africanos, uma postura antirracista e antiviolência.
A morte do jovem Robson Silveira da Luz e atos de racismos no Clube Tiete em São Paulo levou a sociedade brasileira em 1978, a protestar nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, o Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial, caminhou até a Praça da Sé em plena Ditadura. Em 1987 os policiais assassinos foram condenados, pela pressão da Sociedade. O Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial transformou seu nome para Movimento Negro Unificado (MNU).
Houve uma manifestação de estudantes angolanos em frente à Embaixada de Angola no Rio. O Embaixador de Angola Nelson Cosme, comprometeu-se a providenciar assistência jurídica e assistência médica para os outros três cidadãos angolanos feridos.
Frei David e o advogado dr.Hédio representando a família de Zulmira e a Embaixada de Angola no dia em que o corpo de Zulmira Cardoso seguia para Luanda – Angola.
Bata da formatura da jovem engenheira assassinada.
Em São Paulo a organização educacional Educafro e a Aliança de Negros e Negros Evangélico do Brasil (ANNEB), uniram-se a setores de religiões de matrizes africanas num ato pluriecumênico. A manifestação com diversos representantes de entidades do movimento negro, dos estudantes angolanos em São Paulo. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa o deputado Adriano Diogo, a ex-vereadora Claudete Alves, e a vereadora Juliana Cardoso, participaram do ato. Foi recebido um telefonema do Senador Paulo Paim, propondo a Abertura de Audiência Pública no Senado, ao mesmo tempo houve a proposta da abertura de Audiências Publicas na ALESP (Assembleia Legislativa) e na Câmara Municipal de São Paulo.
Um ato Pluri religioso realizado dia 29 de maio na sede da Educafro -
Após a cerimônia religiosa, vários participantes tomaram a palavra, salientando-se que o caso dos estudantes angolanos, não é o único caso contra africanos e haitianos, negros e estrangeiros, mas uma reação contra os jovens negros brasileiros que ocupam espaços nas universidades. Significativo quando o Supremo Tribunal Federal vota por 10 a Zero a constitucionalidade das Cotas Raciais.
Nesse momento de tristeza e dor surge uma reação, contra esses atos. Será marcada uma nova manifestação perto do 30ª. dia do falecimento de Zulmira Cardoso. Uma manifestação de antiviolência e antirracismo.
Estudantes angolanos unem-se aos estudantes brasileiros da Educafro, e chamam à população em geral a participar numa frente.
Reuniões foram marcadas, para a preparação do ato do 30ª.dia do falecimento da jovem Zulmira assassinada por racistas.
Zulmira? Presente! ZULMIRA SOMOS NÓS.
Justiça! Quando? JÁ!
Texto Hugo Ferreira
Fotos Jô Muniz / Hugo Ferreira