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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Revelando a presença Africana na Europa

Uma exposição ocorrida  no Museu de Arte Walters, em Baltimore, MD
de 14 de outubro de 2012,  à 21 de janeiro de 2013.
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Revelando a presença Africana na Europa renascentista, uma exposição sem precedentes, explora o mundo da arte renascentista na Europa para trazer à vida a presença Africana escondida em seu meio.
Durante o primeiro semestre de 1500, a África tornou-se um foco de atenção europeia, não ocorrendo desde o tempo do Império Romano. A sede europeia para novos mercados já em meados dos anos 1400 dirigiu os Portugueses (e, posteriormente, o Ingleses e Holandeses) para explorar a criação de novas rotas de comércio ao longo da costa oeste da África e, na virada do novo século, no Oceano Índico . Ao mesmo tempo, a expansão do Império Otomano, no Norte da África trouxe os turcos em conflito militar e político com os interesses europeus. Estes elementos, juntamente com a importação de africanos capturados como escravos, principalmente da África Ocidental, cada vez mais suplantando o comércio de escravos de origem eslava (povos indo-europeus Búlgaros, Macedônios, Montenegrinos, Russos, Sérvios), resultou em uma presença Africana crescente na Europa.
Annibale Carracci (atribuído) Serva Preta (fragmento de maior retrato), ca. 1580
Annibale Carracci (atribuído) Serva Preta (fragmento de maior retrato), 1580
A primeira metade da exposição de cerca de 75 obras explora o histórico circunstâncias, bem como as convenções de exotismo que constituíram o prisma da "África", através do qual os indivíduos foram inevitavelmente percebidos. No segundo semestre, a atenção se desloca para os indivíduos, com foco em retratos.
Jacopo da Pontormo. Retratro Maria Salviati de Medici and Giulia de Medici, 1539,The Walters Art Museum, Baltimore
Jacopo da Pontormo. Retratro de Maria Salviati de Medici e Giulia de Medici, 1539,The Walters Art Museum, Baltimore
Estas imagens frequentemente muito sensíveis sublinhado o papel da arte em trazer pessoas do passado para a vida. Enquanto alguns africanos jogado respeitados, papéis públicos, os nomes da maioria dos escravos e homens e mulheres libertos são perdidas. Reconhecendo os vestígios de sua existência é uma maneira de restaurar a sua identidade.
Alemão ou flamengo. Retrato homem negro rico, 1540  Antuérpia.
Alemão ou flamengo. Retrato de homem negro rico, 1540  Antuérpia.
Como servos, filhos mestiços, ou ricos a presença negra se fazia presente na Europa.
fonte Walters Art Museum in Baltimore







sábado, 1 de junho de 2013

“ESSES IDOSOS NEGROS REPRESENTAM A PRÓPRIA MENSAGEM”

Convidamos V.Sª e Família para a Defesa Pública da Dissertação de Mestrado em Gerontologia: “Esses Idosos Negros Representam a Própria Mensagem”, de autoria de Sônia Maria Pereira Ribeiro.

 

Dissertação Idoso

Dia: 06 de Junho de 2013

Horário: 15h

Local: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC)

Endereço: Rua Ministro de Godói, 969 - Perdizes – São Paulo (SP)

4º Andar – Lado B

“ESSES IDOSOS NEGROS REPRESENTAM A PRÓPRIA MENSAGEM”

Antonio Lúcio, Carlos Alberto Caó dos Santos, Carlos de Assumpção, Charles Moore, Eduardo de Oliveira, Haroldo Costa, Milton Gonçalves, Nei Braz Lopes, Ruth Botelho Guimarães, Oswaldo de Camargo. Esses idosos negros – modelos de velhices ativas, referências intelectuais e ícones sociais – são os abordados na dissertação de mestrado da jornalista Sônia Maria Pereira Ribeiro.

São profissionais que atuam ora conjuntamente ora alternadamente no jornalismo, na literatura, nas artes, no magistério, na política e em outras atividades, com olhar e postura voltados para a promoção da igualdade racial. Para tanto, utilizam diferentes meios de produção e divulgação do conhecimento, tais como: publicação de livros; elaboração de artigos para jornais, revistas e mídias convencionais e eletrônicas; depoimentos e entrevistas em rádio e TV; ministério de cursos, palestras e seminários; magistério em faculdades e universidades; atuação no teatro, televisão e cinema; sites e blogs, sempre transitando da oralidade à comunicação virtual. Com isso, comprovam que velhice não é sinônimo de incapacidade intelectual, de desconhecimento de avanços ou de esquecimento do passado, pois em suas obras e em suas vidas adotam tanto o tradicional quanto o ultramoderno.

Ressalte-se que, a obra e as atuações desses profissionais, são reconhecidas nacional e internacionalmente, e ultrapassam os limites da transmissão de informações e da divulgação de costumes conservados no Brasil, o que os tornam referência para os afrodescendentes da diáspora africana. E registre-se que, esses negros, há mais de meio século têm contribuído para a formação da cultura nacional e para transformações sociais ocorridas na sociedade brasileira. Enfim, são pessoas que alcançaram (gozam) de êxito profissional, reconhecimento acadêmico, prestígio internacional e respeito pessoal, a despeito do racismo para com os negros e do preconceito para com os idosos.

Para a autora da dissertação, as ações desses idosos negros são ações políticas, uma vez que elas visam transformações sociais; além disso, são atos de comunicação. E, em combinação, as ações desses negros em idade avançada configuram um SISTEMA ABERTO E INFORMAL DE COMUNICAÇÃO VOLTADO PARA A PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL.

Segundo a autora, esse Sistema de Comunicação teve início de maneira espontânea, isto é, a partir do momento em elas – as ações de os mesmos – passaram a se interagir e a se afetarem mutuamente.

Ainda para a autora do estudo, as linhas de raciocínio que orientam o referido Sistema, são: “A história é a memória de um povo”; “Não se pode viver com a memória do outro”; “Toda verdade histórica há de ser fundada sobre provas”; O conhecimento da própria história pode levar a uma catarse libertadora”. É importante observar que essas linhas de raciocínio remetem ao pensamento do historiador africano Joseph Ki-Zerbo; logo, a fundamentação dos argumentos apresentados pela autora tem como referência esse autor africano da contemporaneidade.

E considerando a própria biografia de cada um dos retratados, a autora da dissertação, afirma que: ESSES IDOSOS NEGROS REPRESENTAM A PRÓPRIA MENSAGEM.

SERVIÇO:

Sônia Maria Pereira Ribeiro

Jornalista,

Especialista em documentação cartorária referente ao escravismo no Vale do Paraíba, especialmente na cidade de Taubaté-SP;

Sócio-Fundador e Imortal da Academia Taubateana de Letras – Cadeira nº 3;

Pós-graduada em Língua Portuguesa e Comunicação Social;

Professora de História da Imprensa Brasileira e História da Comunicação;

Colaboradora do site www.afropress.com;

156 artigos, publicados em diferentes mídias do Vale do Paraíba paulista;

32 contos, publicados pela Academia Taubateana de Letras;

3 vezes premiada em concurso nacional de monografias;

1 vez premiada pela Fundação Kalouste Gulbekian – Lisboa – Portugal;

3 vezes proferiu Aula Magna em universidades do Vale do Paraíba paulista e fluminense;

Em parceria com o professor Emérito, Erasmo de Freitas Nuzzi, elaborou o trabalho Imprensa de Língua Portuguesa –Cinturão Cultural ao Redor do Mundo, trabalho esse apresentado no Ministério da Educação de Portugal. Esse trabalho, por sua vez, gerou a exposição do mesmo nome, a qual foi exposta no Memorial da América Latina-SP;

2 outros trabalhos publicados pelo Ministério da Educação de Portugal; e, ainda, pela Fundação Casper Líbero-SP;

2 vezes retratada em TCC, por alunos da Universidade de Taubaté;

18 vezes orientou trabalhos de TCC, no Departamento de Comunicação Social da Universidade de Taubaté – UNITAU.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

40 acres e uma mula

40 acres e uma mula se refere à política de curta duração, durante os últimos estágios da guerra civil americana, durante 1865, de prestação de terra arável para negros libertos (ex-escravos), libertos como resultado do avanço dos exércitos da União no território anteriormente controlada pela Confederação , particularmente o general William Sherman.
40 acres de terra uma mula
40 hectares de terra e uma mula, de Robert N. Dennis coleção de visão estereoscópica.
As ordens especiais do general Sherman, emitidas em 16 de janeiro de 1865, previa a terra, enquanto alguns de seus beneficiários também receberam mulas do Exército, para uso na lavoura. Tais parcelas foram popularmente conhecidos como " Blackacres " acres negros
William Sherman fita luto
Sherman em maio de 1865. A fita preta de luto no braço esquerdo é para o presidente Lincoln . Retrato por Mathew Brady .
As ordens de campo especiais emitidos por Sherman nunca tiveram a intenção de representar uma política oficial do governo dos Estados Unidos no que diz respeito a todos os ex-escravos e foram emitidos "ao longo da campanha para garantir a harmonia de ação na área de operações". As ordens de Sherman especificamente atribuídos no Sul "as ilhas de Charleston , os campos de arroz abandonados ao longo dos rios de 30 milhas de distância do mar, e do país na fronteira com o rio St. Johns , Flórida . Rufus Saxton , um abolicionista de Massachusetts, foi nomeado por Sherman para supervisionar o assentamento dos escravos libertos. Em junho de 1865, cerca de 10.000 escravos libertos foram assentados em 400 mil hectares (160 mil ha) na Geórgia e Carolina do Sul .
Após o assassinato do presidente Abraham Lincoln , seu sucessor, Andrew Johnson , revogou as Ordens de Sherman e retornou a terra a seus proprietários brancos anteriores. Devido a isso, a frase "40 acres e uma mula" tem vindo a representar o fracasso de políticas de reconstrução na restauração para os afro-americanos dos frutos do seu trabalho.
Fonte Wikipédia
tradução Hugo Ferreira








terça-feira, 21 de maio de 2013

3ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial

 

Governo convoca a 3ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial

O governo convocou a 3a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (III Conapir), por meio de decreto assinado pela presidenta Dilma Rousseff e publicado em 17/04/2013, no Diário Oficial da União. A conferência será realizada de 5 a 7 de novembro de 2013, em Brasília, com o tema "Democracia e Desenvolvimento por um Brasil Afirmativo".

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O governo convocou a 3a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (III Conapir), por meio de decreto assinado pela presidenta Dilma Rousseff e publicado em 17/04/2013, no Diário Oficial da União. A conferência será realizada de 5 a 7 de novembro de 2013, em Brasília, com o tema "Democracia e Desenvolvimento por um Brasil Afirmativo".

Para participar, o interessado deve enviar nome, telefone e órgão ou entidade para o e-mail eunice.moraes@seppir.gov.br. O evento será transmitido em tempo real na páginaweb www.aids.gov.br/mediacenter

O evento será presidido pela ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir-PR), Luiza Bairros. Aos estados e ao Distrito Federal cabe a convocação das etapas estaduais e distrital da Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que ocorrerão até 30 de agosto de 2013 e poderão ser precedidas de conferências municipais ou regionais.
O regimento interno da III Conapir será aprovado pelo Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e editado por portaria da ministra da Seppir. As despesas com a organização e a realização da conferência correrão por conta de recursos orçamentários da secretaria.

Em maio, serão feitos mais quatro seminários: Trabalho e Desenvolvimento: Capacitação Técnica, Emprego e População Negra, no dia 26, em Recife; Desenvolvimento e Mulher Negra, em São Paulo, no dia 7 de maio; Territórios Tradicionais Negros: Desenvolvimento e Enfrentamento ao Racismo, no dia 17 de maio, em Belém; e Oportunidades para a Juventude Negra, no dia 24 de maio, em Porto Alegre.

17/04/2013 às 18h45

Fonte: Portal Planalto

Audiência Pública Direitos Humanos e Imigrantes

Africanos não conseguem ocupar postos qualificados no Brasil
A visão estereotipada dos países africanos e o preconceito são, segundo ONG, algumas das razões para que as empresas não abram espaço
 
Câmara Muncipal Placa
Audiência realizada em no dia 20 de maio de 2013

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Christophe Simon/AFP
Migrantes africanos: o secretário nacional de Justiça disse que o problema deverá ser enfrentado na mudança da lei que regulamenta os direitos dos estrangeiros
São Paulo – Imigrantes africanos se queixam que, mesmo qualificados, têm dificuldade para conseguir bons empregos no Brasil. “Essa busca por mão de obra qualificada é pensada muitas vezes em relação ao europeu, principalmente ao branco. Não imaginam que o africano tem essa qualificação, que o haitiano tem essa qualificação”, ressalta a diretora do Instituto da Diáspora Africana no Brasil (IDAB), Carmen Victor da Silva. A organização não governamental busca dar apoio a imigrantes que chegam ao país.
A visão estereotipada dos países africanos e o preconceito são, segundo Carmen, algumas das razões para que as empresas não abram espaço em postos qualificados para africanos.
“Eu percebo que existe uma distinção. Quando se fala de imigrantes de outras localidades, latinos ou africanos, se fala sempre como mão de obra braçal, não intelectual”, enfatizou, em entrevista à Agência Brasil, antes de participar de audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo.
O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, admitiu que o problema é presente e deverá ser enfrentado na mudança da lei que regulamenta os direitos dos estrangeiros.
“É preciso reconhecer que o preconceito faz parte das relações humanas e é por isso que todo o debate dessa questão migratória tem que ser calcado no afastamento e enfrentamento da xenofobia”, disse. “Será constituído agora um comitê de especialistas para dar a formatação jurídica de um anteprojeto que poderá ser encaminhado ao Congresso”, acrescentou.
A visão estereotipada dos países africanos e o preconceito são, segundo ONG, algumas das razões para que as empresas não abram espaço
Procedente da Guiné-Bissau, formada em teologia e pedagogia, Madalena Nanque conseguiu emprego apenas em uma loja que vende chinelos. Mas, após problemas com a burocracia para o pedido de residência permanente, perdeu até esse trabalho.
“Quero fazer concurso, não consigo. Quero fazer pós-graduação, minhas amigas já acabaram, eu não consigo, porque não tenho documento”, reclama a africana, de 36 anos.
“Eu acho que deve haver uma base aqui em São Paulo para ajudar gente como eu, que não tem pai para dar nada, que tem que trabalhar”, diz, ao se queixar dos gastos dos deslocamentos a Brasília para resolver a sua situação legal.
Marseu Carvalho
foto hugo ferreira
Marseu Carvalho numa reunião da Mobilização na Câmara Municipal
O estudante angolano Marseu de Carvalho também reclama da falta de atenção do governo aos imigrantes com poucos recursos. “Nós sabemos que não há políticas públicas que recaem sobre os estudantes imigrantes. E se há políticas públicas, elas não chegam à minha camada, daqueles que não têm nenhuma representatividade governamental ao sair de seus países por conta própria”, destacou durante o encontro.
Além da falta de apoio institucional, o estudante universitário Ademar Carvalho diz sofrer com o racismo no Brasil. “O meu governo falava que os brasileiros e portugueses são nossos irmãos porque falam a mesma língua. Hoje, já não penso mais assim”, desabafou o jovem que se diz enganado por uma faculdade do interior paulista. Um representante da instituição, segundo Carvalho, foi a Angola oferecer uma série de vantagens que não se cumpriram na prática. Atualmente, o estudante move uma ação, com a ajuda da Defensoria Pública da União (DPU), contra a faculdade.
A parceria entre o Ministério da Justiça e a defensoria é uma das ações do governo, de acordo com Paulo Abrão, para solucionar os problemas que afligem os imigrantes. “Para que ela [a DPU] passe a atuar na defesa jurídica de todo e qualquer estrangeiro dentro do território nacional”. Abrão acrescentou que também foi firmada uma parceria com a Organização Internacional de Migrações. “A primeira etapa é a realização de diálogos públicos com representações e lideranças dos imigrantes”, destacou.
Daniel Mello, da Agência Brasil
Fonte Agencia Brasil























quarta-feira, 15 de maio de 2013

14 de maio na UNEB Bahia

Abolição da escravatura é comemorado em 14 de maio na UNEB Campus V

Daniel dos Santos, graduado em História pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e membro do AFROUNEB, esteve na Rádio RBR nesta segunda-feira (13) para falar a respeito do cronograma em comemoração à abolição da escravatura.
Daniel explica que a data que representa a abolição da escravatura é comemorada no dia 13 de maio, mas optaram por fazer no dia 14 do mesmo mês, “simbolicamente é uma forma de protesto porque o 13 de maio, apesar de garantir juridicamente o fim do trabalho escravo no Brasil, não significa que nossa população foi emancipada, então, nós que fazemos parte do movimento negro, optamos de fazer a comemoração no dia 14”, disse.
A respeito da programação, o entrevistado diz que amanhã (14), a partir das 8h, haverá a exibição do filme Django Livre, a partir das 14h haverá uma conferência com a professora Dra. da UFRB Isabel Reis, a qual irá abordar a questão da família escrava no século XIX, como também desse processo de abolição e desmitificando de símbolos e emblemas que estão em nosso imaginário e nos faz pensar na utopia de uma abolição. A noite haverá a celebração artística cultural com um baile Black com Alana Sena & Banda Gan, Paulo Smasher, Sinho Bernardo e Coletivo Zumbeat. O evento acontecerá na UNEB e é aberto para todos. 
Fonte Redação Voz da Bahia - Samile Damasceno
13/05/2013 14:31




domingo, 25 de julho de 2010

Pensamentos: Preta Chaves “Eu sou neguinha?”

Explicação:
 
Tenho recebido emails sobre o Blog, e estes recebi ontem da Preta Chavez. Não a conheço pessoalmente, ela é de Indaiatuba, filha da D.Zezé do Edimur, velho parceiro da antiga.
Há quase 25 anos não o encontrava. Na Convenção do PSB, ele atravessou a Avenida da Liberdade correndo, quase foi atropelado.
Desse reencontro, começou uma troca de emails, surgiu aí Preta Chaves, que citei no post “Eu sou neguinha?”, somente como “Preta......”.
Ontem mantivemos uma série de emails. Solicitei autorização para publicar. Preta Chaves concordou.
Mostra o que uma parcela de jovens pensa.
Ia dar uma formatada, mas acredito que a forma de emails é a mais certa de mostrar como foi essa troca de sentimentos.
Apenas dei uma arrumada para facilitar a leitura:
 

Pensamentos da Preta Chaves : “Eu sou neguinha?”

erika Preta Chaves
qua 7/7/2010 21:17
Já estou cansada de ver injustiças nesses pais, principalmente no que se diz respeito aos negros.
Claro que ninguém é igual a ninguém assim como nem todos pensam igual, mas para mudarmos definitivamente várias coisas deveriamos seguir a mesma linha de raciocínio.
O negro tem o menor salário, o negro não esta no poder...até quando???
Nos negros não devemos nos deixar oprimir, temos que levantar a cabeça e lutar, lutar e lutar. Nada vem de graça se você não trabalha você não come e isso é muito justo, já que temos que lutar para viver porque não lutar um pouco mais para viver um pouco melhor???
Engraçado né se uma mulher branca "faz um barraco" na porta de um banco, as pessoas dizem: "Olha ela é corajosa, ela fala não tem medo, etc". Agora se é uma negra "Tinha que ser preto pra fazer isso, é maloqueira" e dai por diante.
Porque é bonito uma branca expor seus pensamentos e uma negra não? Já vivi uma situação dessa e tive que aturar o povo me olhando com cara de aberração, ainda bem que não ligo, fiz e não me arrependo até porque todas as outras vezes que fui ao mesmo banco nunca mais tive problemas.
A mulher negra não pode ser a atriz principal, mas pode ser a cozinheira sempre, não pode ser gerente, mas limpar o chão pode, não pode ser deputada, mas ser copeira pode, mais uma vez pergunto até quando?
Ao longo de meus 28 anos já tive muitas experiencias na vida, algumas boas outras nem tanto, mas que me fizeram ser essa pessoa que sou hoje Érika dos Santos Chaves também conhecida como Preta Chaves.
Não tenho medo de expor meus pensamentos, entro e saio de onde eu bem entender, procuro sempre usar a educação que recebi de meus pais, mas quando não tem jeito uso a que eu mesma desenvolvi para sobreviver.
Eu nasci pra fazer a diferença, tenho orgulho de ser quem sou e não troco, não vendo e nem alugo a minha vida, os meus pensamentos e muito menos o meu modo de ser. Se agradei bem senão amém nem Jesus agradou a todos imagina eu.
Preta Chaves

Date: Wed, 7 Jul 2010 21:27:06 -0300
Preta
Tá tão bonito dona Pretinha chegou, lemos e ficamos com os olhos mareados.
BOA DONA PRETA CHAVES!!!!!!
Vamos publicar no blog?
Força e Fé
Mano velho Hugo

qua 7/7/2010 21:33
Pode publicar sim.
Acabei de deixar uma opinião lá
.
1 comentários:

Preta Chaves disse...
Esta ótimo oq acabei de ler, Hugo parabéns.
Pra ser negro não precisa ter a pele negra e sim o coração o orgulho.
Ahhhh se todo negro fosse assim...se valorizariam mais e deixariam de "abaixar" pros outros.
Eu tenho orgulho sim sou Érika ou Preta Chaves como preferir, sempre de cabeça erguida, lutando, correndo, só não posso parar...tenho muito oq fazer ainda.
E eu acredito que um dia vamos ser respeitados em todo e qualquer lugar, mas para isso temos q nos UNIR pra mudar essa realidade em que vivemos.
PODER PARA O POVO PRETO!!!
Preta Chaves
7 de julho de 2010 21:32 clip_image001

qua 7/7/2010 21:40
Eu sou aquela pessoa que não me importo se vc me acha bonita até porque eu soumaravilhosa, não me peça pra usar salto se quero usar tenis, é feio??? e daí eu gosto
Ouço RAP adoroooooo sabe pq? Retratam perfeitamente a cara da periferia "a mais as letras são agressivas"... não são não, a realidade incomoda e é isso q o rap faz mostra a realidade.
A intenção da música é alertar mas tem aqueles que a absorvem e fazem oq diz nas letras, fazem completamente ao contrário.
As pessoas criticam sem saber. É a mesma coisa uma pessoa criticar uma religião sem nunca ter participado de um culto pra saber como é. Oh mania feia né, só pq fulano falo é daquele jeito... É mais facil perder um tempinho e comprovar do que sair falando sem saber como realmente é, concorda comigo?
sou uma pessoa de muitas ideias boas, algumas acredito q duras demais mas nenhuma foge da realidade pode ter certeza, e eu tenho certeza que vou conquistar muitos espaços e fazer com que muitos ouçam a minha voz....
.
Preta Chaves

Date: Wed, 7 Jul 2010 22:00:09 -0300
Dona Pretinha falou que você é sacudida.
É Phodida mesmo!!!
Nos enche de orgulho.
Hugo e Josiani

qua 7/7/2010 22:02
Foi uma pena não nos encontrarmos no dia da Convenção, mas com certeza oportunidades não nos faltará.
Eu sou meia doida mesmo,rsrsrsrs.
Preta Chaves

qua 7/7/2010 22:07
Vc é da tribo!
O que é ser normal?
Deve ser muito chato!
Força e Fé
Mano velho Hugo

Date: Wed, 7 Jul 2010 22:10:01 -0300
Amanhã  eu dou  uma formatada e publico a tua emoção!
Tamos juntos, nossa irmã de fé, camarada!

qua 7/7/2010 22:24
Belezinha então eu só escrevi nem me atentei a erros de portugues, rs faz parte.
Tamos juntos sim, vamos unir nossas forças e vamos ver no que dá.
Preta Chaves

Date: Wed, 7 Jul 2010 22:37:48 -0300
Boa noite Preta
Estamos amparados, pelos que se foram e se manifestam nas nossas palavras.
Encontraremos nossos irmãos, e aliados.

qua 7/7/2010 22:39
Boa noite Hugo
Concordo com vc viu.

“Eu sou neguinha?”

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A música forte de Caetano bate em formas muito diferentes. Já houve acusações de ser uma letra racista, de estar havendo excesso do patrulhamento do politicamente correto.

Creio que se pode abordar com mais detalhes. O que tenho pensado é porque a música pega como chicle? Por que a letra penetra na alma?

Deve ter mil e duas mil razões. Tenho pensado, “Eu sou neguinha?”, traz o momento de indefinição, se você vai ou não vai, se é ou não é.

É a encruzilhada!

A música e letra trazem infinitas mensagens inconscientes. Pega geral!!

“No tempo em que eu sonhava” (Belchior) e fazia poesias nos botecos, caminhando como Agostinho Neto, militante e poeta (presidente emérito de Angola), mostrei as pobres letras a um amigo. Ele leu e perguntou: “Você escreve de cara limpa?” “Tá tudo muito direto!”

“Eu sou neguinha ?”, não é direto, entra por diferentes formas na sua cabeça:

Eu Sou Neguinha?

(Caetano Veloso)

“...
Eu era o enigma, uma interrogação
Olha que coisa mais que coisa à toa, boa boa boa boa boa
...
Bunda de mulata, muque de peão
Tava em Madureira, tava na bahia

No Beaubourg no Bronx, no Brás e eu e eu e eu e eu
A me perguntar: Eu sou neguinha?

...
Eu não decifrava, eu não conseguia
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?”

A música surgiu em minha cabeça numa reunião, quando um jovem de pele “parda” (arghhh!), disse que não quer ser olhado como negro (a história é longa, mas tão interessante que conto em outra ocasião). Assumia suas origens afro, mas que hoje isso era coisa do passado.

Pensei tempos de Obama, pós-racial, raça só existe uma: a Humana.

Sou velho militante da fundação do MNU (Movimento Negro Unificado contra a discriminação racial 1978). Como dizia e escrevia um antigo “líder do movimento negro” que tinha espaço na alta mídia, “esses negros com um discurso antigo, ressentido...” Sou um dinossauro, mas muito bem atualizado.

A questão não é isolada, a uma reunião, nem a posição do companheiro que não quer ser classificado como negro. O jogador Neymar do Santos, fez uma declaração polêmica dizendo não ter sofrido preconceito “por não ser preto”.

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Quem comprou essa discussão foi o ex jogador Paulo Cesar Cajú, em entrevista para Folha de São Paulo, perguntando: Neymar é amarelo?

Campeão do Mundo com a seleção de 1970, o ex-jogador Paulo César Caju ataca a desunião da categoria no Brasil e diz lamentar a falta de consciência dos atletas negros

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Folha - O que acha da frase do Neymar dizendo que não se considera negro?
Paulo César Caju - Qual a cor do Neymar? Pelo amor de Deus! Essa é a diferença entre o americano e o brasileiro. Americano fala: "Eu sou negro". Não tem essa de mulato. Tem raça preta, branca e amarela. Neymar é amarelo?

(texto pode ser lido em http://www.geledes.org.br/sos-racismo/neymar-e-amarelo.html)

A questão não é nova, Ronaldinho levantou a polêmica ao dizer em alto e bom som que não é negro. Nem mesmo sua retratação serviu para pôr panos quentes no assunto.

A revista Raça Brasil, na época reuniu jovens, e fez uma matéria fantástica:

“ SER NEGRO É UMA QUESTÃO DA COR DA PELE?” Merece ser relida hhtp://racabrasil.uol.com.br//Edicoes/88/artigo9206-2.asp

É a visão de jovens que se assumem como negros independentes da cor da sua pele. Não é fácil até hoje nos meu quase 65 anos, sou cobrado, pela minha afirmação étnica. Sou negro, mas não apenas negro! (Esmeraldo Tarquinio).

“Mas o cara é branco!”, “O branco que pensa, que é negro”, e até de “Racista”, foram várias frases que ouvi na minha vida, (já um tanto longa...rsrsrs).

Hoje para quem não me conhece, é estranho ver os velhos companheiros, hoje negros velhos respeitáveis, desses que os moços fazem questão de chamar de senhor, me considerarem um militante “companheiro negro das antiga”. Hoje somos a Velha Guarda, atuante e consciente.

Não é fácil no Brasil, se auto-afirmar. Mas é uma questão vital.

Fiquei contente de receber o email, de uma filha de amigos, o Nick dizia com orgulhoso: “Preta...”, há jovens e jovens....

O cantor Gerônimo, em 1987, colocou o Brasil para cantar o refrão: Eu sou negão
Meu coração é a liberdade
Gerônimo do Curuzu ilê, tem a pele clara.

Amigos me diziam, quando uma pessoa de pele clara, se afirma como negro. Quem tem a pele mais escura, e se afirma como branco, como fica?

“Eu sou neguinha?” Aí cabe muito bem, a questão!

Banda Fanstasmão

Estou encantado com um grupo de jovens de Salvador. A Banda Fantasmão, onde pessoas de várias tons de pele canta a igualdade dos guetos. Letra reta e direta.

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O rosto pintado como no livro de Frantz Fanon, trechos da poesia de SolanoTrindade.

Sua música: Eu sou negão leva na letra, um discurso, que assino em baixo.

No You Tube onde está a música já teve mais de 350 mil exibições. http://www.youtube.com/watch?v=b23M3u6w5ZY

Eu sou negão

Banda Fantasmão:

Eu te digo que você sai do ghetto
Mas o ghetto nunca sai de você
Se é que você tem o ghetto no coração*


Eu sou da favela
Eu vim do ghetto


Batendo na panela, derrubando o preconceito
Pra você que pensa, que nego correndo é ladrão

Tem branco de gravata
Robando de montão
Mas pra você do samba
Que não tem classe, não tem cor
Que vai bater seu peito
E despertar o amor


Eu sou negão, eu sou do ghetto
E você, quem é?

Sou fantasmão, eu sou do ghetto
E você, quem é?
Eu vim de lá, de lá eu vim

Não foi tão fácil chegar aqui
Esse microfone, é meu armamento

Sou fantasmão,
Tou pronto pro arrebento


Eu sou negão, eu sou do ghetto
E você, quem é?

Sou fantasmão, eu sou do ghetto

Eu acredito no homem
De cabelo crespo, de pele escura
Que andava entre mendingos e leprosos
Pregando a igualdade
O homem que é chamado Jesus
Só ele sabe a minha hora*

Vou voltar a fazer poesia