domingo, 27 de março de 2016

Saudades de mim mesmo... Um homem azul.

Dentro de mim a essência de ancestrais, características físicas, morais e ideais, que mesmo sem entender ou compreender racionalmente, regem minha vida.
Reproduzidos na minha família, sem explicação ou pedido de licença, elas se manifestam. Físicas e morais, características não ensinadas por normas ou preceitos, mas por exemplos, tornados modelos de tsunamis. No DNA dos filhos a herança da liberdade.
Por parte de mãe e pai, trago o sangue dos “Imazighan” (designação significando: “os homens livres” um dos povos mais antigos da África, povo berbere chamados pejorativamente pelos árabes de “tuaregues” (em árabe twâriq “salteadores” ou em outra versão ligando a palavra tuaregues a “tawariq” significando abandonado por Deus), mostrando o desagrado dos árabes aos Imazighan os homens livres “os homens azuis” vindo do turbante azul e roupa que usam.
A família de minha mãe casava-se muito entre a família, primos com primos, e aparências jeitos e trejeitos se repetem em gerações. Caldeamentos, raças e origens. Conto ou falo à mim mesmo sobre o momento importante de minha vida, ver aos setenta anos o meu primeiro neto. O relacionamento entre meu filho e meu neto repete-se em atos, brincadeiras e amor. O que eu recebi e tentei transmitir.
Sem territórios e relações de comprometimentos com vassalagens. O vento direciona o meu destino, estive não estou, sem pesos nem culpas, viajo leve de bagagens, trazendo experiências e sonhos, criando relações novas construções e projetos.
Na descoberta de novos horizontes e desafios, encontrei no sábado de Aleluia, um fogo que incendeia, alastra-se e amplia.




No Fotroca, no Palacete Carmelitas encontro entre amantes de fotografia e fotógrafos. Compartilhamento de experiências, mundos e tribos.
Na exposição de seus trabalhos fotográficos, os autores dos livros contavam suas experiências de criação. A fotógrafa Carol Conti com seu trabalho “Saudades da Avó” trazia reminiscência de sua infância, fotos da casa, objetos, todo um sentimento de uma ausência presença de um companheirismo. Lembranças que não deixarei para meu neto, histórias que sei que não transmitirei pessoalmente, pois o tempo de partir é presente a cada instante. Necessidade de contar histórias, casos, mostrar origens e caminhos. Saudades de histórias, que tenho de deixar...

Daniela Lucheta com o “Cadê o menino” traz a mágica do momento de quem registra e do registrado, uma relação de cumplicidade que experimentamos a cada momento. Relações criadas ao primeiro clique, aprofundada sem palavras nos gestos. Relação fantástica, surreal. Exposto em dois trabalhos um com fotos, outro com ilustrações da Daniela e poesias haicai da Carol Conti, um trabalho de parceria e entendimentos.

Pedro Clash com “O menino” (Boy) imagens de nostalgias em climas frios de uma Inglaterra sem sol, a relação entre o homem e a criança seu afilhado. Entre a dureza de praias de seixos, ventos gélidos combatidos com pesadas roupas, uma banana tropical na mão da criança. Tocou-me forte, o pensamento de sair do país e as relações novas em outras terras. A casca vazia da banana, e as opções de liberdade da criança. Um filme em fotos, histórias sem fim...

Ricardo Biserra criador do evento, em sua 41ª. edição, traz sua marca de reinvenção constante. Criador de uma proposta alternativa, em constante ebulição apresentou o seu trabalho “Dust” (poeira) o registro da visão da periferia com seu espaço multicultural, uma área usada para jogos de futebol, circos e parques. O “campinho” das nossas memórias presente nos confins dessas megalópoles.

Rodrigo Pivas em “LINHASDACIDADE” mostra o encontro das linhas arquitetônicas de São Paulo, criando em imagens desfocadas, manchas, recortes da cidade transformada e recriada em sua imaginação. Voltei ao tempo em que descobria, edifícios, espaços e imaginava o futuro. 
Tantas histórias, experiências, compartilhamentos, calor humano torna-se pequeno o mero relato de um Imazighan. Saímos eu “amajagh” (homem) e a “tamajaq” (mulher) cumplices e parceiros, corações leves, pensamentos cheio de projetos e promessas. Roupas azuis carrego minhas crenças caminhando para Zambukaki.









Hugo Ferreira Zambukaki

Fotos Jô Muniz

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Documentário “Negro Lá, Negro Cá”

Documentário cearense sobre racismo é selecionado para festival de cinema em Portugal

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Andy Monroy, um dos entrevistados para o documentário. Foto: Divulgação

O documentário “Negro Lá, Negro Cá”, do jovem cineasta Eduardo Cunha, não foi só um Trabalho de Conclusão de Curso: Sergipe, Rio de Janeiro e até Portugal tiveram ou terão a exibição do filme em três festivais importantes do gênero. O trabalho traz reflexões do racismo sofrido por imigrantes africanos residentes em Fortaleza, no Ceará.

Em entrevista concedida para o portal da Rádio Verdes Mares, Eduardo conta que a ideia veio por meio de conversas com um amigo de Cabo Verde, Andy Monroy. “A gente sempre conversou sobre o racismo e outras questões referentes à adaptação dele e de outros estudantes aqui em Fortaleza”, explica.

O filme foi selecionado para três festivais até agora. O primeiro foi para o XV Encontros de Cinema de Viana do Castelo, em Portugal. O filme foi exibido em maio deste ano. Em seguida, foi selecionado para o 5º SERCINE – Festival Sergipe de Audiovisual e será exibido em outubro de 2015. O mais recente foi o Visões Periféricas, que acontece em agosto, no Rio de Janeiro. Além desses festivais, Eduardo pretende receber novas seleções de outros eventos de cinema nos quais inscreveu o documentário.

Confira o teaser de “Negro Lá, Negro Cá”:

Inicialmente, Eduardo, que é recém-formado em Publicidade e Propaganda pela Unifor, quis acompanhar o cotidiano de alguns imigrantes e fotografá-los, mas “por sugestão do meu professor Wilton Martins, que é fotógrafo e sociólogo, resolvi fazer um documentário. Tratar do racismo num produto audiovisual traria mais possibilidades de fazer as pessoas se questionarem sobre o assunto”, enfatiza.

No documentário, são entrevistados os africanos Andy Monroy (Cabo Verde), Alfa Umaro Bari (Guiné-Bissau), Cornelius Ezeokeke (Nigéria) e Manuel Casqueiro (Guiné-Bissau). “A história de vida de cada um é muito rica e isso se reflete na fala deles. O filme busca trazer inquietação em quem assiste e tenho percebido que o ‘Negro Lá, Negro Cá’ tem cumprido esse papel”, revela Eduardo, entusiasmado.

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O diretor Eduardo Cunha. Foto: Thaís Mesquita

Para ele, a repercussão do filme pode fazer com que as pessoas se aproximem do problema que é o racismo e do quanto isso pode ser agressivo. “Gosto de fazer a comparação do filme com uma cadeira, ou um objeto qualquer, em chamas. De longe, podemos nos dar conta de que aquele fogo pode ser prejudicial para nós, fisicamente. Algumas pessoas podem não perceber e precisar chegar mais perto para sentir o calor do fogo e, a partir daí, entender o risco que ele pode representar. Outras pessoas, mesmo estando perto, podem não se dar conta e só perceberem a agressividade do fogo quando se queimarem. Aí elas estarão tendo a experiência mais intensa possível”.

Eduardo Cunha faz parte do 202b, uma equipe cearense dedicada a desenvolver um trabalho que transita em linguagens como vídeo, fotografia, pintura e desenho.

Por: verdinha às 17:34 de 07/08/2015 – Verdes Mares

Documentário “Negro Lá, Negro Cá”

Documentário cearense sobre racismo é selecionado para festival de cinema em Portugal

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Andy Monroy, um dos entrevistados para o documentário. Foto: Divulgação

O documentário “Negro Lá, Negro Cá”, do jovem cineasta Eduardo Cunha, não foi só um Trabalho de Conclusão de Curso: Sergipe, Rio de Janeiro e até Portugal tiveram ou terão a exibição do filme em três festivais importantes do gênero. O trabalho traz reflexões do racismo sofrido por imigrantes africanos residentes em Fortaleza, no Ceará.

Em entrevista concedida para o portal da Rádio Verdes Mares, Eduardo conta que a ideia veio por meio de conversas com um amigo de Cabo Verde, Andy Monroy. “A gente sempre conversou sobre o racismo e outras questões referentes à adaptação dele e de outros estudantes aqui em Fortaleza”, explica.

O filme foi selecionado para três festivais até agora. O primeiro foi para o XV Encontros de Cinema de Viana do Castelo, em Portugal. O filme foi exibido em maio deste ano. Em seguida, foi selecionado para o 5º SERCINE – Festival Sergipe de Audiovisual e será exibido em outubro de 2015. O mais recente foi o Visões Periféricas, que acontece em agosto, no Rio de Janeiro. Além desses festivais, Eduardo pretende receber novas seleções de outros eventos de cinema nos quais inscreveu o documentário.

Confira o teaser de “Negro Lá, Negro Cá”:

Inicialmente, Eduardo, que é recém-formado em Publicidade e Propaganda pela Unifor, quis acompanhar o cotidiano de alguns imigrantes e fotografá-los, mas “por sugestão do meu professor Wilton Martins, que é fotógrafo e sociólogo, resolvi fazer um documentário. Tratar do racismo num produto audiovisual traria mais possibilidades de fazer as pessoas se questionarem sobre o assunto”, enfatiza.

No documentário, são entrevistados os africanos Andy Monroy (Cabo Verde), Alfa Umaro Bari (Guiné-Bissau), Cornelius Ezeokeke (Nigéria) e Manuel Casqueiro (Guiné-Bissau). “A história de vida de cada um é muito rica e isso se reflete na fala deles. O filme busca trazer inquietação em quem assiste e tenho percebido que o ‘Negro Lá, Negro Cá’ tem cumprido esse papel”, revela Eduardo, entusiasmado.

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O diretor Eduardo Cunha. Foto: Thaís Mesquita

Para ele, a repercussão do filme pode fazer com que as pessoas se aproximem do problema que é o racismo e do quanto isso pode ser agressivo. “Gosto de fazer a comparação do filme com uma cadeira, ou um objeto qualquer, em chamas. De longe, podemos nos dar conta de que aquele fogo pode ser prejudicial para nós, fisicamente. Algumas pessoas podem não perceber e precisar chegar mais perto para sentir o calor do fogo e, a partir daí, entender o risco que ele pode representar. Outras pessoas, mesmo estando perto, podem não se dar conta e só perceberem a agressividade do fogo quando se queimarem. Aí elas estarão tendo a experiência mais intensa possível”.

Eduardo Cunha faz parte do 202b, uma equipe cearense dedicada a desenvolver um trabalho que transita em linguagens como vídeo, fotografia, pintura e desenho.

Por: verdinha às 17:34 de 07/08/2015 – Verdes Mares

sábado, 5 de dezembro de 2015

Primeira vez que vi Marília Pera

Histórias do Teatro Casarão

Hoje logo dia 05 de dezembro de 2015, acordo com a televisão anunciando a morte da atriz Marilia Pera. Como uma velha escrivaninha de várias gavetas, que você encontra velhos papéis esquecidos, lembrei da primeira vez que vi Marília Pera.

Marilia Roda Viva 2

Marília Pera na peça Roda Viva de Chico Buarque, dirigida por Zé Celso, no coro fazia parte Zezé Motta – na sala Galpão do Teatro Ruth Escobar atacado pelo CCC em julho de 1968

Garoto vindo do interior, São Paulo era um mundo que enchia os olhos em 1968, para quem vinha de pequenas cidades. Cheguei em São Paulo nos fins de 1963, comecei a trabalhar no início de 1964, nas Lojas de Departamentos, logo estouraria a Revolução Militar em abril de 64.

Órfão de pais, vivia a grande luta de trabalhar e estudar à noite. Aos poucos fui me acostumando à cidade grande, tomando contato com a realidade. O que eu imaginava que seria uma abertura, viver numa cidade grande, tornava-se com a Ditadura Militar um cerco, uma corda que ia asfixiando cada vez mais, tudo e todos.

Em 1968 sofri uma crise na coluna cervical que me deu um afastamento do serviço. Foi quando conheci o Grupo Teatral Casarão misto amador com profissional, um centro cultural no Avenida Brigadeiro próximo à Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Com tempo ocioso, entre as sessões de terapias. Andava e vagava pelo Centro da cidade, o Teatro Casarão foi uma abertura que mudou minha vida.

Dentre o Grupo, um amigo foi o tutor desses novos caminhos. Waldemar Sillas um dos fundadores tornou-se companheiro e mentor. Na época além de ator, já era autor e diretor. Eu tinha uns vinte e poucos, erámos quase da mesma idade. Ele morava em Santana, lá nos lados onde minha irmã morava. Trocávamos confidências, sonhos, projetos, nossas namoradas eram amigas. Domingo sempre havia uma comida da sua mãe nos esperando. Erámos quase uma família...

Um dia creio que em agosto de 1968, Waldemar falou: - “Uns amigos estão precisando de ajuda, você pode ir comigo? ”. Minha resposta foi de imediato: - “Vamos! ”. Os atores da peça “Roda Viva”, de Chico Buarque, com direção de Zé Celso Martinez Corrêa, no teatro Ruth Escobar, em São Paulo, haviam sido agredidos durante a peça.

Sala Galpão

Mais ou menos vinte homens encapuçados do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) haviam invadido e destruído a Sala Galpão do Teatro Ruth Escobar no final da peça.

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Camarim da Sala Galpão do Teatro Ruth Escobar (foto publicada na Folha de S.Paulo no dia 19 de julho de 1968)

Em 18 de julho de 1968, após mais uma noite de apresentação em São Paulo na sala O Galpão, cerca de vinte homens encapuzados, armados de cassetetes e soco inglês sob as luvas, do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), se dividiram para quebrar o cenário e partes do espaço físico, e invadir os camarins, espancando os atores e produção, rasgando roupas dos figurinos. Transformou-se numa resistência cultural contra a Ditadura.

Coro de Roda Viva Zezé 

Coro do Musical Roda Viva onde fazia parte Zezé Motta

  O musical Roda Viva causava polêmicas contava as péssimas condições sociais, políticas e financeiras da sociedade da época e do início das redes de televisão. Os personagens que representavam o povo, não possuíam quaisquer direitos de liberdade e são frágeis diante da influência da televisão.

 

Comprovada a evidente intenção de criticar a situação política, social e econômica da época, o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) organizou uma agressão contra os artistas, sob alegação de que precisavam ser repreendidos pelos palavrões e por expor, ao público, os problemas do País.

A “proibição” de nos meios de comunicação vinham do “Ato Institucional número 5, que concedia poderes ao Presidente da República para intervir e cessar qualquer atividade ou liberdade democrática.

Hugo Waldemar 

Foto de fotógrafo das velhas máquinas lambe-lambe

Na época Waldemar Sillas e eu, barbudos e com cara de poucos amigos ficamos “escalados” na sala restaurada e como “seguranças” de proteção ao elenco. Uma proteção ficcional e simbólica.

Uma Marília tímida e maravilhosa e os atores vieram no final, agradecer nosso apoio e solidariedade à retomada da peça depois do ataque facista dos integrantes do CCC.

Histórias que no coração quebrado pelas partidas de amigas e amigos, ainda recordo. Épocas da Ditadura Militar, que a violência tentava calar nossos sonhos.

Hugo Ferreira Zambukaki

Fotos: Internet e arquivo pessoal

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Parada Preta na Paulista.Inserir o título da postagem

 

Quanto dói uma morte? E quando não são uma, duas, três, quatro...

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Semana passada foi a morte do haitiano Fetiere Sterlin, assassinado em Navegantes Santa Catarina com 10 facadas, perto de sua casa junto com sua mulher brasileira. Ontem no dia 31 de outubro foi o jovem angolano Jocéu Wando Capilo estudante intercambista de engenharia que veio realizar seu sonho de se formar e voltar à Angola. Sonhos de jovens querendo se estabelecer no país, sonhos de quem vê a educação como forma de construir um futuro melhor. Sonhos perdidos, despedaçados.

Paulista Manifestação 116 (1024x576)

Como não lembrar dos da jovem Zulmira Cardozo, angolana, que formada queria comemorar, sua graduação e voltar para Angola, e ao encontrar seus amigos num bar do Brás onde a comunidade angolana se estabeleceu foi morta em 2012 com um tiro na testa. Cinco estudantes alvejados uma jovem grávida, e três rapazes. Não só foi a morte de Zulmira, seu namorado veio a falecer meses depois, com o peso de carregar de não ter sido morto em lugar da namorada.

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Africanos e caribenhos não são bem-vindos no Brasil, o que os encanta do maior país negro de mundo, o Brasil com 60% da população de origem afro-brasileira (preta, negra, morena ou seja lá o termo que você prefira) tem um sério problema de desigualdade social, onde esses 60% são excluídos da sociedade e remanejados para as periferias das grandes cidades. O que os atrai como a luz, os prejudica, excluí e os mata...

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O Brasil até os anos 60 era uma grande fazenda, os imigrantes europeus vieram para ocupar os lugares dos escravizados, fugidos de guerras e a fome das grandes migrações que o distúrbio pós guerra causa, vieram por serem uma mão de obra mais barata no capitalismo. Onde você usa uma mão de obra assalariada, e a descarta quando não necessita ou não é mais útil. Sem necessidade de comprar o escravizado, e cuidar dele quando fosse necessário, mais fácil usar a mão de obra excedente e farta na Europa e Ásia. E o que fazer com os descendentes de escravizados?

Uma política de contenção e marginalização nas periferias. Onde as prisões são mais importantes que as escolas. Onde os bandos de capitães do mato, transformaram-se em milícias, e as chacinas são a forma de conter pelo medo a população pobre, negra e periférica.

Paulista Manifestação 173 (1024x576)

Hoje domingo 1º. de novembro, os descendentes de Dandara, Zumbi, Nzinga e Toussaint Louverture uniram-se para protestar pelas mortes e violências contra imigrantes africanos e caribenhos, filhos da Diáspora Africana, brasileiros, haitianos, congolenses, angolanos numa manifestação no Vão Livre do Masp, mesmo lugar onde uma manifestação cobrava quem matou os jovens da Chacina dos 19 na Grande São Paulo. Organizado pelo VOHA Voluntários Amigos dos Haitianos, presentes diversas entidades e movimentos sociais.

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Som de um coração enlutado, batia o tambor de Claudete

Um tambor monocórdico, som de um coração enlutado cobrava o descaso no recebimento e acolhimento desses imigrantes. Uma militante Claudete Alves lembrava que somos um país de imigrantes, onde os donos da terra indígenas e africanos escravizados vivem marginalizados.

Paulista Manifestação 197 (1024x576)

Um usuário das barracas de antiguidades, de dedo em riste e atitude ameaçadora tentou calar o som do tambor e a voz dolorosa de quem lamenta os seus mortos. Mulatas tipo exportação de biquínis, e negros sorridentes fazendo música para ioiô dançar são bem-vindos, cidadãos cobrando seus direitos, são negros não são cidadãos.

Arquétipo guerreiro, em defesa da imagem da mãe, mulher, filha, companheiras cobrou rijo o direito:

“ – Quem é você para silenciar a voz dessa mulher que nos representa?

- Cala a boca racista. ”

Tranquila manifestação, presença constante a presença negra se fará na Paulista nos domingos. Ocupando espaços, onde a visibilidade negra, unida com seus parceiros grita pela inclusão e liberdade. Brasil onde todos têm sangue negro, uns no corpo e mente, outros nas mãos.

 

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Paulista com Itapeva – Parada Preta na Paulista

Unidos num espaço de liberdade no novo espaço dos paulistanos aos domingos, Avenida Paulista com rua Itapeva, uma ocupação como nos tempos da 24 de Maio, ou frente o Mappin um ponto de encontro de arte, cultura e alegria negra da Diáspora Africana em São Paulo: “Parada Preta na Paulista” #paradapretanapaulista

Hugo Ferreira Zambukaki

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Angola pensar é crime Pressão Internacional

O professor Boaventura de Souza Santos, professor da Universidade de Coimbra, na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de SP, onde lançava seus dois novos livros “O Direito dos Oprimidos” e “A Justiça Popular em Cabo Verde” (Cortez Editora), para ampliar vozes e diálogos junto dos Movimentos Sociais. Tendo como foco emergências e desafios das lutas sociais por cidadania e direitos, espera-se com o evento potencializar articulações e interconectar saberes em favor de uma agenda emancipatória de luta por direitos.

Agostinho 2

Interpelado por um jovem angolano no Brasil, Agostinho Martinho sobre a questão de cerceamento da liberdade de expressão em Angola, sobre os presos políticos angolanos, responde numa forma emocionada sobre a questão angolana e o envolvimento necessário dos jovens e movimentos sociais brasileiros, para formar uma pressão internacional ao Governo Angolano.

Lembrou que o Governo Brasileiro não tem interesse nas críticas sociais nos países em que tem interesses em negócios, pouco preocupado com as questões sociais ou defesa dos Direitos Humanos. Citou o caso do moçambicano Boaventura Monjane impedido de entrar no Brasil por críticas à Vale do Rio Doce, que desenvolvia um projeto que prejudicava milhares de famílias em Moçambique. O visto de entrada brasileiro só foi concedido por pressão internacional. O mesmo ocorre em Angola com as empresas transnacionais brasileiras, envolvidas em negócios que estão sobre investigação.

Boaventura Mojane

Chama a atenção de que a questão dos presos políticos angolanos, não é um problema de Angola, e sim uma preocupação de todos que se preocupam com a liberdade de expressão e defesa dos Direitos Humanos. No momento em que os jovens angolanos no Brasil se levantam contra essa opressão, ficam fragilizados sem apoio dos jovens brasileiros e da sociedade civil, podendo sofrer pressões e penalidades (o que já está ocorrendo), só com o apoio em manifestações e assinaturas do pedido de liberdade dos brasileiros, poderão se sentir seguros no seu justo pedido de uma democracia para Angola.

A paralisação da greve de fome pelo preso político Luaty Beirão, no seu 36º dia um fato simbólico idêntico aos 36 anos de permanência do presidente José Eduardo dos Santos de forma interrupta, não significa uma vitória mas uma continuidade de luta, já que os 15 + 2 presos políticos serão julgados agora no mês de novembro. Acusados por estarem lendo um livro de tentativa de golpe contra o presidente José Eduardo no poder há 36 anos, onde em Angola pensar torna-se um crime.

Assista o depoimento do professor Boaventura de Souza e o pedido de participação para a Sociedade Brasileira.

Em finais dos anos 1960, partiu para a Universidade de Yale com o objetivo de se doutorar. A sua tese de doutoramento, publicada pela primeira vez em português em 2015 (Direito dos Oprimidos, Almedina), é um marco fundamental na sociologia do direito, que resultou do trabalho de campo centrado em observação participante numa favela do Rio de Janeiro.

Fontes: Transnacionais avançam sobre Moçambique http://www.brasildefato.com.br/node/4606

Wikipédia Biografia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Boaventura_de_Sousa_Santos

sábado, 24 de outubro de 2015

O que nós temos com Angola?

 

Vários amigos estão me perguntado porque me preocupo com a situação atual de Angola.

Respondo da forma mais básica: -Minha avó era de Benguela.

Como 60 % da população brasileira, não sei de minhas origens africanas. Minha geração “os de 68” quando leram “Raízes” de Alex Haley maravilharam-se e procuraram suas raízes africanas. No Brasil maior país escravagista mundial e onde os documentos sobre a escravidão foram queimados para que os donos de escravos não exigissem uma reparação pela perda dos escravizados.

 Sem saber das origens corretas, elegi Angola como a minha terra ancestral. Local histórico de onde os escravizados embarcavam em destino ao Brasil. Muitos não eram angolanos, tenho acompanhado companheiros que tiveram oportunidade de fazerem exame de DNA e se surpreenderam muitos carregam genes europeus ou indígenas. Por sua cor são discriminados, como negros (negro é sinônimo de escravizado) .

campanha-liberdade-ativistas-angolanos

Os atiivistas angolanos acusados, presos políticos

O foco central são os quinze ativistas presos por lerem um livro, acusados de estarem organizando um golpe de estado contra o presidente angolano José Eduardo dos Santos e  a greve de fome de Luaty Beirão, rapper angolano em greve de fome há 33 dias, por desobediência civil. São 15 ativistas que liam um livro, e armados de canetas bics foram acusados de estarem à planejar um golpe de estado contra o presidente José Eduardo dos Santos no poder há 36 anos contínuos. Escrevo esse artigo, porque pouco de nós brasileiros sabemos onde fica Angola no mapa (e está provado a África é um continente).

Quando falei isso que não sabíamos onde Angola ficava, um jovem amigo angolano me esclareceu sobre o tamanho do desconhecimento: “E nem sabem que falamos português. ”

angola mapa 

Maior que nossas origens históricas, estão nossas realidades atuais. A corrupção fez uma ponte solida e duradoura entre Brasil, Angola e Portugal. O general Bento dos Santos, sobrinho por afinidade do Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos. Está sendo investigado por inspetores da Polícia Judiciária e procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) estiveram na manhã desta quarta-feira a realizar buscas em dependências do Novo Banco (ex-BES) e residências em diversos pontos do país. As diligências começarão manhã cedo.

O general Bento dos Santos "Kangamba", sobrinho por afinidade do Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, recentemente num discurso faz ameaças aos opositores do Presidente que eles “cairão” não serão vencidos por se oporem “cairão”. Uma ameaça fascista de um governo que fez uma revolução socialista.

 


O primeiro secretário do MPLA em Luanda, Bento Bento em ato  Promovido pela Organização da Mulher Angolana (OMA), em colaboração com o Comité Provincial do MPLA de Luanda,

O general Bento dos Santos é conhecido no Brasil por seu contato com redes de exploração de prostituição internacional envolvendo o eixo Brasil, Portugal e Angola.

A reportagem especial do Fantástico, denuncia uma rede de prostituição de luxo que você nunca viu nada parecido. Mulheres brasileiras eram levadas para fazer programas sexuais em Angola. “Famosas da televisão” eram levadas para Portugal, Angola e África do Sul segundo informações, o principal cliente era o general Bento dos Santos Kabanga, um dos homens mais poderosos da África. Ele chegava a oferecer US$ 100 mil por um programa. Veja na reportagem de Walter Nunes e Ernesto Paglia no Fantástico da Rede Globo

Fontes:

http://www.publico.pt/economia/noticia/policia-judiciaria-faz-novas-buscas-no-caso-bes-1672944?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29

http://www.pordentrodaafrica.com/noticias/direitos-humanos-por-dentro-da-africa-pede-libertacao-de-ativistas-angolanos

http://novasdaguinebissau.blogspot.com.br/2013/11/interpol-confirma-kangamba-e.html

http://www.prsp.mpf.gov.br/sala-de-imprensa/noticias_prsp/25-10-13-op.-garina-justica-federal-aceita-denuncia-contra-sete-acusados-por-trafico-internacional-de-pessoas-para-exploracao-sexual